Pesquisa

ok
Home»Nortada»Nortada Detalhe Março e Abril 2018
 
Conselhos para férias - Cautelas e caldos de galinha…

“Saúde é um estado de completo bem-estar físico, psíquico e social, e não apenas a ausência de doença ou debilidade.”
(OMS, 1946/1948)


De autoria do saudoso diretor clínico do SAMS, dr. Luís Aguiar, e embora já tenha sido publicado em anterior edição, transcrevemos o texto intitulado “Conselhos para férias”, por evidenciar manifesta atualidade e utilidade para os nossos leitores, agora que se aproxima a época de férias. Ao autor aqui deixamos os nossos agradecimentos.





Depois de um inverno que me pareceu bastante rigoroso em termos de chuva e frio, aparece agora um tempo mais ameno e até com temperaturas elevadas e muito sol, prenúncio provável de um verão bastante quente.

Aproveitemos então para guardar as roupas e agasalhos que nos ajudaram a suportar a temperatura invernal e a esquecer as enfermidades características da época e que este ano foram bastantes e muito prolongadas.
Mas o que lá vai lá vai e vamo-nos preparando para aproveitar o melhor possível o tempo de verão que se vai aproximando. E é neste sentido que vos quero deixar algumas linhas com conselhos e recomendações que poderão, apesar de múltiplas vezes repetidos, ser úteis e ajudar a evitar alguns contratempos que possam surgir. Com o sol e o tempo quente parece que o corpo rejuvenesce e o espírito fica mais aberto ao exterior e muito menos depressivo. Apesar de quando se chega a esta altura do ano o cansaço e a saturação de um ano de trabalho serem bastantes, a esperança e a ansiedade por uns (tão poucos ...) dias de férias ajudam a esquecer tudo aquilo por que, ao longo do ano, fomos passando.
Há nesta altura muito menos depressões do que no Inverno, em que os dias escuros, sombrios e chuvosos parecem ter uma influência muito grande no aspecto triste e depressivo que muitos de nós apresentamos. Contudo, e para que tudo possa correr o melhor possível, gostaria de vos deixar alguns conselhos.
O primeiro, e como não podia deixar de ser, relaciona-se com o sol que todos desejamos e queremos aproveitar o mais possível. Nunca é demais lembrar que devemos ter o máximo de cuidado com a exposição solar. A exposição prolongada a determinadas horas do dia é bastante prejudicial e pode causar alterações cutâneas graves cujo expoente máximo é o melanoma maligno com consequências extremamente graves, como sabemos.
Mas mesmo sem causar alterações graves na pele e apesar de ainda ser moda (?) ou bonito ficar moreno/a, não nos podemos nem devemos esquecer que o sol envelhece prematuramente a pele, especialmente nas pessoas menos jovens, dando um aspecto que não corresponde muitas vezes à idade.
Portanto vamos tentar “apanhar” sol numa hora em que ele nos faça bem, causando-nos o menos mal possível. Devemos, sobretudo, evitar a exposição solar entre as 11 e as 17 horas, bem como exposições muito demoradas, devendo mudar frequentemente de posição.

A proteção da cabeça, dos olhos e até do tronco nunca deve ser esquecida, transformando-se numa prática usual usar chapéu, óculos e t-shirt.
A proteção da pele é fundamental, não devendo ser feita só quando se chega à praia e uma só vez. Deve ser efetuada ainda em casa e, se estivermos muitas horas na praia e tomarmos banho, deve ser efetuada frequentemente. Quanto ao protetor solar que devemos usar, depende do tipo de pele e deve ser recomendado por um especialista de dermatologia.
Não se deve esquecer de beber bastante quantidade de líquidos e de entre estes a água deve ser privilegiada.
Todas estas recomendações não são muitas e devem ser redobradas e religiosamente cumpridas quando se trata de crianças. Nestas, a proteção da pele e a hidratação são absolutamente fundamentais. Portanto, sol sim, mas, como tudo na vida, com precaução e na “dose correta”.
Como não podia deixar de ser, a seguir a um bom banho de sol aquilo que nos apetece é arrefecer o corpo. A maneira mais fácil e apetecível de o fazer é aproveitar o mar. E aqui muito cuidado para que não surjam situações menos agradáveis ou até irremediáveis. Nunca se deve, depois do corpo quente do sol, entrar na água, por mais quente que ela esteja, de uma maneira repentina.
A grande diferença da temperatura que se verifica pode ocasionar um choque térmico de consequências irreparáveis. Deve, sim, entrar-se progressivamente na água e deixar que o corpo arrefeça durante uns bons minutos e então poder-se-à “tomar” a banhoca e nadar ou brincar na água durante bastante tempo. E aqui também gostava de fazer uma recomendação. Não fiquem na água, sobretudo se estiver muito frio, durante muito tempo. Não faz bem, o corpo arrefece muito e podem aparecer alterações do ponto de vista respiratório. Isto tudo aplica-se ainda com muito mais propriedade às crianças, que gostam de ficar muito e muito tempo. Mas quando saem é bom que reparem na cor de pele nas mãos e pés! Ficam de cor azulada/ esbranquiçada e corpo gelado. Não permitam que isto aconteça.
Não se esqueçam também de que não devem ir para a água a seguir a ter ingerido alimentos. Não há propriamente um espaço definido de tempo entre a comida e a entrada na água. Como devem compreender, depende da quantidade e da qualidade de comida ingerida e de características individuais de cada um. Mas sejam prudentes e se a refeição for um almoço completo ou uma refeição mais abundante guardem pelo menos 3 horas de intervalo.
Já que estamos a falar de comida, há que ter um cuidado muito especial com o que se come em tempo de férias. Um grande número de pessoas come geralmente em restaurantes e hotéis. Há que ter uma atenção muito grande com o tipo de alimentos. Devem ser evitados os molhos, os “chantilis”, as maioneses e os bolos com creme. A probabilidade de, sobretudo com o calor, haver alterações em alimentos que sejam confecionados com ovos é muito grande e causam perturbações digestivas muito complicadas, sobretudo em período de férias. Outro alimento com o qual se tem de ter muito cuidado é com os bivalves (amêijoas, berbigão e mexilhão). Quando estragados ou alterados provocam graves perturbações digestivas e não só. Em todas as situações referidas, as náuseas, os vómitos e as diarreias dominam a sintomatologia e, como calculam, por si só acabam por estragar completamente as férias.
Bebam muita água, comam fruta e muitas saladas e iogurtes. Muito peixe e alguma carne (sobretudo branca), grelhada de preferência. De qualquer forma, não deixe de ir para férias prevenido com alguns medicamentos (não uma farmácia inteira), que numa situação mais embaraçosa o podem ajudar, nomeadamente:
- Um analgésico/antipirético do género do paracetamol (Ben-u-ron ou outro)
- Um anti-inflamatório/analgésico/antipirético, como o lprofureno (Brufen)
- Um antidiarreico (lmodium)
- Um antibiótico como a amoxicilina com ácido clavulânico (Augmentin Duo, por exemplo).
Qualquer deles poderá ajudar numa situação de urgência. De qualquer forma e se os sintomas que justificarem o seu uso não desaparecerem, devem procurar ajuda médica.
E, por último, o máximo cuidado na ingestão de bebidas alcoólicas, porque em períodos de grande calor potenciam a desidratação e alargam o período digestivo, com todas as consequências.
Eu sei que a maior parte das pessoas conhecem, de cor e salteado, tudo aquilo que foi dito. Mas não faz mal relembrar. E faço-o com o desejo sincero de que possa contribuir para que tenham umas ótimas férias.

     
   Imprimir        Voltar        Topo
Copyright © 2007 SBN