João Paulo Pires
Dia de 30 Maio foi um dia duplamente frustrante para os trabalhadores do Millennium bcp, data em que se realizou a Assembleia Geral Anual de Acionistas.
Primeiro, porque estava criada a expectativa, no seio dos trabalhadores, para a devolução dos valores retidos durante o período transitório do ajustamento salarial (2014-2017).
Depois, porque além de tal não se ter verificado, os trabalhadores foram confrontados com a introdução de um inesperado ponto na ordem de trabalhos:
A atribuição de contribuição ordinária ao complemento de reforma dos membros da Comissão Executiva, anunciada publicamente de 4,9 milhões de euros.
Verificou-se ainda que não existiu qualquer proposta para o reforço do fundo de pensões dos trabalhadores.
Sabendo das dificuldades sentidas pelos trabalhadores do Banco Comercial Português, também designado por Millennium bcp, desde os efeitos provocados pelo período transitório do ajustamento salarial (2014-2017) com a suspensão das promoções contratuais, com a suspensão das cláusulas respeitantes as diuturnidades vencidas naquele período, com a reposição das condições remuneratórias anteriores ao ajustamento salarial, mas também com o compromisso assumido pelo Conselho de Administração e pela Comissão Executiva para a devolução de um valor total global acumulado, pelo menos, igual ao valor total não recebido durante o período temporário de ajustamento salarial, torna-se desolador o dia-a-dia de quem dá o seu melhor, muitas vezes, com trabalho dedicado para além da hora contratada.
São estes trabalhadores que formam um dos pilares estratégicos da sustentabilidade do Millennium bcp e contribuíram para um forte crescimento da atividade em Portugal, no primeiro trimestre de 2018. São também estes trabalhadores que procuram alcançar a paz social. Mesmo trabalhando de forma disfuncional, sofrendo um stress crónico, pagando um preço pelo trabalho dedicado ao BCP sem limites e nem sempre remunerado. Esgotamentos, falta de descanso, sempre ligados ao trabalho, dia e noite, elevada pressão para obter resultados, longas horas de trabalho, deslocações de e para o trabalho diárias de longos quilómetros.
São estes trabalhadores que apresentam muitas vezes quadros de stress e fadiga, recorrendo a medicamentos para se renovarem diariamente. Os trabalhadores que querem, realmente, recuperar a paz social e a valorização pessoal, através da melhoria das condições de trabalho, através da recuperação dos valores retidos e não pagos no período do ajuste salarial temporário (2014-2017), através da negociação da tabela salarial em linha com a inflação, da regulação do período normal do tempo de trabalho e do direito ao descanso.