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"Pelas fragas, fraldas e entranhas da Serra do Marão"

60ª caminhada

A 60ª caminhada “Põe-te andar, pela tua saúde ” realizou-se no passado dia 20 de outubro, com a presença de 58 caminhantes, num percurso linear, cultural, ambiental e interpretativo, de âmbito florestal geoambiental, cultural e arqueológico - com grau de dificuldade de cerca de doze quilómetros e duração de três horas -, que teve início no Alto do Valão, Vila Real, e fim no Alto da Choupaina, em Fontes, Santa Marta de Penaguião. Com mais esta iniciativa, o SBN associou- -se à organização “Outubro, mês de prevenção do cancro da mama”. A caminhada foi orientada por Paulo Fonseca e Fausto Pureza – guias credenciados e certificados –, coadjuvados pelo colaborador Francisco Barros, do BST de Coimbrões.

O tipo de percurso, em terra batida, por caminhos florestais por vezes incertos, mostrou-se cheio de dificuldades, que só o calçado apropriado, o caminhar com cuidado e, em muitos casos, a ajuda de um bastão de caminhada, permitiram ultrapassar.

Serra do Marão

A Serra do Marão situa-se na região de transição do Douro Litoral para Trás os Montes e Alto Douro e é a sétima maior elevação de Portugal Continental, com 1415 metros de altitude, 681 de proeminência topográfica e 59,9 quilómetros de isolamento topográfico. No ponto mais alto encontra-se o vértice geodésico e o Observatório Astronómico do Marão, apresentando uma boa mancha vegetal, essencialmente constituída por pinheiros.

Geologicamente é composta por largas manchas xistosas ou graníticas, existindo na zona da localidade de Campanhó uma pequena bolsa calcária, que é explorada para fins agrícolas. A vinha é a cultura dominante nas zonas habitadas das encostas meridionais e ao longo da serra encontram-se diversas instalações abandonadas da exploração de minas de volfrâmio que tiveram o auge nos tempos da Segunda Guerra Mundial.

A Serra do Marão constitui um dos mais imponentes relevos do norte de Portugal, constituída, principalmente, por rochas metassedimentares provenientes dos sedimentos depositados pelos rios do Paleozóico nos oceanos desse tempo.

Estas rochas, que resultaram da ação do metamorfismo sobre as rochas sedimentares nos períodos Câmbrico (542-488 milhões de anos) e Devónico (416- 398), constituem a elevação que se conhece e que resultou do dinamismo associado à deriva dos continentes, explicada pela teoria da tectónica de placas, que levou ao fecho dos mares e dos oceanos naquele tempo, fazendo com que os materiais que estavam depositados no fundo fossem comprimidos, deformados, transformados e elevados. Deste processo resultaram um conjunto de estruturas tectónicas (dobras, falhas, estrias, boudins ), assim como modificações profundas nos materiais, como recristalizações no estado sólido provocadas por elevadas temperaturas, pressão e composição dos fluidos, que, circulando pelas fendas e pelos poros das rochas, deram origem à existência de muitos dos minerais que foram em tempos minerados na serra. O alinhamento da Serra do Marão, tal como as restantes serras que constituem a “Barreira de condensação”, forma uma barreira física que obriga os ventos húmidos provenientes do oceano Atlântico a subir e, ao arrefecerem, a originar chuvas orográficas, que determinam o clima a oeste e a leste daquela formação e que influenciam a flora e fauna existente.

     
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