As rugas
As rugas que tem meu rosto
São sinal de desgosto
Por esta vida passada,
São o sinal do cansaço
Pelo que fiz e que faço
Mesmo quando não tenho nada.
As rugas da minha cara
São a mais alta medalha
Com que Deus me condecorou
Foi o mal e foi o bem
Que eu passei por ser alguém
E nunca me envergonhou
Não sinto vergonha alguma.
O que fica na espuma
Dum sabonete cheiroso
Lavo a cara e toda ela
Fica limpa e singela
Nada tem de vergonhoso.
Já foi linda, tive beleza
E agradeço com certeza
Por tamanha suavidade?
Mas o tempo não perdoa
E por muito que me doa
Já não volta a mocidade.
Maria Augusta