Datas de luta e de liberdade
Trinta e cinco anos volvidos sobre o dia em que os cravos substituíram as balas nos canos das espingardas e sobre o momento em que rios de gente encheram o Mar do Trabalho na mais grandiosa manifestação do 1º de Maio, a comemoração destas duas efemérides assumiu particular pertinência.
Com efeito, a crise financeira, económica e social com que o conjunto das nações está confrontado e que irremediavelmente teria de se estender ao nosso país, tem o risco de poder provocar, sobretudo nas gerações mais jovens, algumas dúvidas sobre o significado daquelas duas datas.
Foi, pois, extremamente positivo que tivesse sido reafirmado, de forma insofismável e inequívoca, que as dificuldades que presentemente nos flagelam nada têm a ver com os superiores valores da democracia e da liberdade que então foram devolvidos ao povo português.
O Sindicato dos Bancários do Norte participou activamente na manifestação do 1º de Maio que a UGT promoveu em Lisboa e que juntou muitos milhares de trabalhadores, reunidos numa jornada que foi de festa mas também de luta.
Depois de, no seu décimo primeiro congresso, realizado em 20 e 21 de Março, a central sindical ter feito um diagnóstico minucioso sobre a actual situação e de ter apresentado uma centena de medidas para ultrapassar a crise, foi agora tempo para recordar que os trabalhadores, fustigados pelos efeitos impiedosos da crise, querem ser parte da solução e que não aceitam ser remetidos exclusivamente para parte do problema, em relação à génese do qual não têm quaisquer responsabilidades.
A liberdade não se negoceia – vivencia-se. A democracia não se questiona – aprofunda-se. Não podemos, por isso, adoptar uma atitude derrotista face às dificuldades que se nos apresentam. Os sindicatos portugueses – designadamente os verticais do sector financeiro – têm evidenciado uma atitude da maior responsabilidade no enfrentamento das múltiplas e inesperadas situações que vêm abalando a estabilidade e a credibilidade da banca, acompanhando, a par e passo, todos os desenvolvimentos que ocorrem neste domínio. Por isso se juntaram empenhadamente nestas duas celebrações.
E porque rejeitam liminarmente que os trabalhadores do sector – que todos os esforços têm feito, até com sacrifício dos tempos que deveriam dedicar à família, para conservar a confi ança dos aforradores – venham agora a ser penalizados com medidas fortemente restritivas, de que sobressaem, em última análise, despedimentos tão injustificados quão infundamentados e restrições salariais atentatórias da sua dignidade.
Com determinação para entabular todas as formas de luta de que tenhamos necessidade de nos socorrer, vamos, todavia, erguer a bandeira da esperança para que no próximo ano o 25 de Abril e o 1º de Maio possam ser comemorados já num ambiente sócio-económico indiciador da recuperação que acabará por trazer aos trabalhadores e aos respectivos agregados familiares motivos acrescidos para saudar com cada vez maior emoção os símbolos da liberdade e da democracia.
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