Órgãos estatutários do SBN tomaram posse
Os elementos recentemente eleitos para os órgãos estatutários do SBN tomaram posse no passado dia 7 de Maio.
Na oportunidade, o presidente da Direcção, Mário Mourão, traçou o panorâmica sobre as diversas problemáticas que caracterizam o actual momento da crise financeira nacional e internacional, concedendo, neste contexto, particular destaque ao “caso BPN”, em que os sindicatos verticais estão decididamente empenhados na manutenção dos postos de trabalho, à semelhança do que acontece para o restante sector, salientando também o papel decisivo que a UGT tem desempenhado.
O discurso de Mourão foi, aliás, quase como que o enunciar de um verdadeiro programa de acção para o mandato que agora se iniciou, com particular ênfase para o incremento da prática do sindicalismo de proximidade e da aproximação do SAMS às novas exigências dos beneficiários, naquilo que considerou também uma prática de “saúde de proximidade”.
A necessidade de uma revisão estatutária, a resolução dos problemas patrimoniais, a aproximação das remunerações dos reformados às dos colegas no activo, o aprofundamento da contratação colectiva e o empenhamento no desenvolvimento da Febase foram
outros tantos temas de referência glosados por Mário Mourão. Por outro lado, o secretário-geral da UGT, João Proença, sublinhou que as iniciativas a tomar para a ultrapassagem da crise financeira têm de passar, entre outras medidas, pelo estímulo ao consumo privado – por via de aumentos dos salários e das pensões –, pela defesa do emprego de qualidade, pelo combate à precariedade, às subcontratações e aos paraísos fiscais, pelo reforço do associativismo sindical a nível nacional e internacional, e pelo aumento da sindicalização.
Nestas páginas publicamos a intervenção de Mário Mourão e a do presidente da Mesa, Alfredo Correia.
No acto de posse usaram também da palavra os representantes das diversas tendências, tendo começado por Delfim de Sousa, em nome da lista I, que justificou a ausência dos elementos eleitos por aquela candidatura.
Por outro lado, Alexandre Cunha, da TIDC, afirmou que “num momento particularmente difícil para os bancários e de grande preocupação, não só por causa do emprego precário por via dos contratos a prazo, mas também por causa do futuro da banca, pelo controlo
dos fundos de pensões que muitas vezes nos foge, pelo medo que exerce a sindicalização dos novos colegas, pelas mais variadas razões, é de salientar a maior responsabilidade que, nesta hora, a todos os sindicalistas é exigida”.
E acrescentou que há também que “lutar para que os muitos milhões ultimamente atirados para a banca sejam também motivo de reivindicação, concretamente na protecção aos fundos de garantia para o futuro dos trabalhadores”.
Em representação dos TSD usou da palavra Pereira Gomes, sublinhando
que “os bancários, ao nos darem o seu voto massivo,conferiram-nos ainda maior responsabilidade para gerir o SBN, com ainda mais rigor e ainda maior disponibilidade para resolver os graves problemas com que estão confrontados os nossos colegas, quer no activo quer na situação de reforma, até porque a perda do poder de compra destes últimos têm sido um facto, principalmente pela subida dos impostos e pela diminuição das deduções específicas em sede de IRS”.
Pereira Gomes denunciou também a excessiva carga horária suportada pelos bancários no activo e com a exigência da obtenção de objectivos desmesurados, o que não permite a normal dedicação a uma vida familiar, e acrescentou que os novos corpos gerentes foram também cometidos de maiores responsabilidades no SAMS, “área em que temos vindo a realizar uma verdadeira revolução na saúde, com um serviço condigno e de grande qualidade no contexto
do país, em que continuamos a ser pioneiros, como na actividade
sindical”.
Por fim, Firmino Marques, em representação da TSS, chamou a atenção para o facto de “o período difícil que o mundo atravessa nos obrigar a um permanente alerta para defesa dos princípios democráticos
e para a constante procura de melhores condições de vida quer para os trabalhadores que representamos quer para os trabalhadores em geral, que sofrem os efeitos perniciosos de uma crise para a qual não contribuíram”.
Aquele sindicalista acrescentou que “não se afigura fácil o trabalho da equipa agora eleita: a manutenção dos postos de trabalho, a luta por trabalho digno, a recuperação do poder de compra dos bancários, enfim, a melhoria das condições de vida dos trabalhadores
torna-se ainda mais difícil, quando alguns desses trabalhadores, pondo de lado os interesses comuns, propugnam e promovem a divisão em benefício próprio ou do seu partido – os mesmos que, sem pudor, nos acusam de trazer para o sindicato a política partidária”.
Por último, Firmino Marques manifestou “a esperança de que, consolidada que foi, no último mandato, a estabilização estrutural do sindicato, o próximo se caracterize por um sindicalismo de ainda maior proximidade aos associados; a esperança de que os próximos quatro anos contribuam para o fortalecimento do SBN, para o aumento da sua massa associativa, para o seu rejuvenescimento”.
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