Canta o rouxinol e transparece
Em cada nota do seu canto,
O lirismo dum dia que amanhece
Abrindo à luz as dobras do seu manto.
Na fria lucidez do amanhecer,
Quando se rasga o véu da neblina,
Ouço atentamente e com prazer,
O canto que persiste e se refina.
Tem a música a mágica beleza
De melodia límpida e selvagem.
O cantor é um dom da natureza
E esvoaça livremente na ramagem.
Mas o canto que ouço e que me prende,
Não é ao meu ouvido destinado;
É apelo à companheira que pretende,
No cio, o rouxinol enamorado.
Sílvio Martins