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A crise

Vamos ser dignos da história e acreditar que toda a crise traz progresso e que depois da tempestade vem a bonança.

“Não pretendamos que as coisas mudem se sempre fazemos o mesmo. A crise é a melhor bênção que pode ocorrer com as pessoas
e países, porque a crise traz progressos. A criatividade nasce da angústia, como o dia nasce da noite escura. É na crise que nascem
as invenções, os descobrimentos e as grandes estratégias. Quem supera a crise, supera-se a si mesmo sem ficar “superado”. Quem
atribui à crise seus fracassos e penúrias, violenta o seu próprio talento e respeita mais os problemas do que as soluções.
A verdadeira crise é a crise da incompetência. O inconveniente das pessoas e dos países é a esperança de encontrar as saídas e soluções
fáceis. Sem crise não há desafios, sem desafios a vida é uma rotina, uma lenta agonia. Sem crise não há mérito. É na crise que se
aflora o melhor de cada um. Falar de crise é promovê-la e calar-se sobre ela é exaltar o conformismo. Em vez disso, trabalhemos duro.
Acabemos de uma vez com a única crise ameaçadora, que é a tragédia de não querer lutar para superá-la.”


Albert Einstein

Estas são palavras que ainda hoje estarão actualizadas. Eis que inesperadamente, ou talvez não, surgem pelas “mãos” do Papa, num reforço dos conceitos então expendidos por Einstein, através da encíclica “Caridade na verdade”, a 295ª da história da igreja católica, que mereceu o comentário da parte de um dos mais esclarecidos teólogos da actualidade – frei Afonso Domingues – que, no seu estilo frontal e descomprometido, diz: “Há uma coisa que é certa: a economia, por si mesma, é amoral. Quer lucros para alguns, mas não se interessa pela sorte das pessoas. Tem de haver uma ética política e jurídica que controle esse amoralismo e este Papa não se vai candidatar ao Nobel da Economia nem quer dar lições de economia; quer uma economia ao serviço das pessoas, enquadradas na natureza e baseada no desenvolvimento sustentável. O mundo é tanto dos vivos como dos que estão para vir”.
A publicação da encíclica coincidiu – provavelmente não de forma fortuita – com a reunião do G8 em Áquila e, sem querer apresentar alternativas políticas, alerta para a falência da globalização caso não exista por parte dos poderes políticos um olhar atento para as questões sociais que afectam a huhumanidade,
ainda que para isso seja necessário reestruturar a autoridade mundial. Como dizia Einstein, a verdadeira crise é a crise da incompetência – e da ganância – e “falar constantemente dela é promovê-la.” Em vez disso, olhemos para a sociedade com olhos de ver e “trabalhemos no duro” para a sua resolução.
Não é com lamentos, com notícias desmoralizantes, com auto-comiseração ou auto-elogios que podemos sair da crise.
Ela existe. É real… e é cíclica. Mas, ao longo da história, a humanidade sempre soube ultrapassar essas crises com trabalho, com muito querer e acreditando nas suas capacidades e inteligência, mas principalmente com solidariedade.
A fé, a esperança e a caridade, mas sobretudo a igualdade, a fraternidade e a solidariedade nunca foram tão necessárias e apropriadas.
Vamos, por isso, ser dignos da história e acreditar que toda a crise traz progresso e que depois da tempestade vem a bonança.
Assim Deus, o Grande Arquitecto do Universo, o permita.

     
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