Pesquisa

ok
Home»Nortada»Nortada Detalhe
 
Em carta ao Presidente da República e ao primeiro-ministro

Trabalhadores do BPN com ameaças físicas pedem ajuda e resolução para a crise

Um grupo de trabalhadores do BPN, sob anonimato com receio das consequências, enviou um ofício ao Presidente da República, ao primeiro-ministro e ao ministro das Finanças, pedindo intervenção urgente com vista à resolução dos graves problemas que o banco e eles próprios atravessam, uma vez que não obtiveram resposta a uma mensagem nesse sentido enviada em 19 de Junho ao presidente do Conselho de Administração.
No ofício, sublinham que o Estado – único accionista do BPN após a nacionalização – deve zelar pela correcta gestão das suas empresas e dos seus trabalhadores. Todavia, oito meses volvidos sobre aquela decisão, continua a verificar-se uma indefinição quanto ao futuro do banco, a falta de cumprimento do ACT para o sector, falta de lucidez e de transparência da gestão, a identificação dos trabalhadores com negócios para os quais nada contribuíram e o banco como tema das campanhas dos partidos.
E acrescentam sempre terem contribuído para que se chegasse a bom porto, cumprindo as orientações das várias administrações:
“Mas mesmo com todas as expectativas que o Conselho de Administração e as direcções criaram, no passado dia 19 de Junho não foi pago o papel comercial da SLN Valor, entidade onde os clientes
não conhecem ninguém.”
Quem os clientes conhecem são os trabalhadores do banco e é a estes que pedem responsabilidades: “Somos nós e as nossas famílias que servimos de joguetes sem nexo e com riscos elevados de ordem física e psicológica, considerando-nos envolvidos num jogo de interesses político-partidários (pela proximidade de eleições) e pessoais e mesquinhos (para conduzir o banco para a CGD).
A ilação que retiram é que, para tal e para não haver interessados na compra, o banco tem de perder negócio: “Será prejudicado o contribuinte, mas neste caso a ninguém serão pedidas responsabilidades e sem que se tenha em conta os riscos físicos, materiais e morais dos trabalhadores, uma gestão profissional e a defesa dos clientes que envolveram poupanças de uma vida de trabalho e que agora correm risco de nada receberem.”
Os subscritores dizem-se individualmente ameaçados por clientes que sabem onde moram: “Caso algo aconteça a algum trabalhador do BPN ou familiar, não deixaremos de imputar a responsabilidade por tal facto ao Estado Português.”

PS: Entretanto, sobre este assunto recebemos do Sindicato dos Bancários do Norte, assinados pelas direcções dos sindicatos verticais – SBC, SBN e SBSI – os comunicados que a seguir transcrevemos, resultantes de uma reunião efectuada em Coimbra e de uma reunião com o presidente da administração do BPN, para análise do grave problema vivido pelos trabalhadores daquela instituição.

 

“Trabalhadores do BPN não podem ser responsabilizados SLN tem que honrar os seus compromissos.

Face às intimidações que vários trabalhadores da rede comercial do BPN têm sofrido por parte de clientes que continuam a aguardar que a SLN Valor lhes pague os títulos que subscreveram e cujo primeiro vencimento já teve lugar, os Sindicatos e o Secretário-Geral da UGT reuniram ontem com o Presidente do Conselho de Administração do BPN tendo em vista precaver novas pressões que possam ser exercidas.
Os Sindicatos não aceitam que quem trabalha naquele Banco em funções comerciais seja responsabilizado pela incapacidade da SLN em cumprir os contratos que estabeleceu com quem nela confiou.
O BPN assegura que não é devedor desses reembolsos e tem cartas de compromisso em que a SNL Valor assume essa responsabilidade. Os eventuais lesados devem, pois, exprimir toda a sua indignação, se assim o entenderem, junto dos responsáveis da SLN e nunca perante os trabalhadores do BPN.
O Presidente do BPN mostrou-se sensível e compreende a gravidade da situação, mas descarta a hipótese de o BPN se substituir à SLN na resolução deste problema. Os Sindicatos solicitaram que fosse produzida a informação interna adequada, de forma a que os trabalhadores a possam fazer chegar aos lesados pelo atraso nos reembolsos e dessa forma contribuir para o seu esclarecimento.”

     
   Imprimir        Voltar        Topo
Copyright © 2007 SBN