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Vírus espreita… e ataca sem piedade!

Veste-se de várias roupagens
Surgindo sempre, sorrateiro,
Em tudo em que possa medrar…
Planeia bem suas viagens
Em corpo alheio, é matreiro,
E tudo faz para enganar!...

E logo ataca, de repente,
Como um terrível furacão
Debilitando a sua presa…
Não só covarde, é insolente…
É despido de coração
E investe sempre com frieza!

Contornam os laboratórios
Em patogénicas mudanças
A cálculo orientadas!
Não suportam os lavatórios
Que lhes reduzem as matanças
De mais vítimas infectadas…

Tiremos, assim, a lição
Como é urgente proceder
Contra semelhante vilão
Pr`a podermos sobreviver:

Até que algum dia se invente
A malha em que o vírus caia
Da qual facilmente não saia,
Será essa a nossa alegria…

É para todos pertinente
Que como sentidos cristãos
Saibamos lavar bem as mãos
Mas várias vezes ao dia!…


António Monterroso

 

     
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