Pesquisa

ok
Home»Nortada»Nortada Detalhe
 
Uma estratégia da UE para a juventude

A juventude assume uma importância prioritária na visão social da União Europeia e a crise actual exige a necessidade de potenciar o capital humano dos jovens.
A comunicação da Comissão sobre a “Agenda Social Renovada” conclui que “o futuro da Europa está nas mãos dos seus jovens.

Não obstante, muitos jovens vêem perder-se as oportunidades de ter sucesso na vida”.
Esta comunicação da Comissão, objecto de parecer do Comité Económico e Social Europeu (CESE), prepara a elaboração de uma estratégia para o futuro da política europeia da juventude. Propõe um novo Método Aberto de Coordenação (MAC) reforçado, mais flexível, com um sistema de relatórios simplificado e mais relacionado com as políticas contempladas no Pacto Europeu para a Juventude, incluído na Estratégia de Lisboa para o Emprego e o Crescimento.

A adopção de uma abordagem trans-sectorial inscreve as acções pontuais num esforço a longo prazo de mobilização dos jovens.

A estratégia deverá criar condições favoráveis para que os jovens desenvolvam competências; realizem o seu potencial; possam trabalhar;

participar mais activamente na sociedade e tomar parte na construção do projecto europeu. Os jovens não constituem um fardo para a sociedade, antes representam, isso sim, um recurso valioso que pode ser canalizado para se alcançarem objectivos sociais mais elevados.
Os europeus têm vidas cada vez mais longas, são pais cada vez mais tarde e por isso cada vez há menos jovens. Prevê-se que o grupo actualmente com idades entre os 15 e os 29 anos, representando cerca 19,3% da população europeia, deva representar 15,3% em 2050.
Estas alterações demográficas reflectem-se nas famílias, afectando também a solidariedade entre gerações e o crescimento económico.

A globalização pode trazer consigo crescimento e emprego, mas também traz desafios específicos para trabalhadores mais vulneráveis, como são os jovens, tal como a crise vem demonstrando.

Os jovens de hoje, que talvez constituam a geração mais educada, mais tecnicamente avançada e com mais mobilidade de sempre, prezam a amizade, o respeito, a tolerância e a solidariedade. Tal como o resto da sociedade, enfrentam o individualismo crescente e as pressões competitivas sem partilhar necessariamente as mesmas oportunidades.
A juventude europeia tem de dotar-se dos instrumentos indispensáveis para aproveitar as oportunidades de participação nos domínios cívico e político, do voluntariado, da criatividade, do empreendedorismo, do desporto e do envolvimento em causas de alcance global.
Os problemas de educação, emprego, inclusão e saúde, conjuntamente com os financeiros, de habitação e transporte, dificultam o acesso dos jovens à autonomia e a uma situação que lhes dê oportunidades e recursos para gerir as próprias vidas, participar cabalmente na sociedade e tomar decisões independentes.
O CESE considera que há que desenvolver uma estratégia neste quadro não só para a juventude mas também com a juventude, que deve ser incluída no processo de decisão e na sua aplicação. Em virtude do princípio da subsidiariedade, as políticas para a juventude são principalmente da responsabilidade dos Estados-membros.
Todavia, muitos dos desafios que se colocam à juventude na sociedade actual não são plenamente solucionáveis sem uma estratégia mais global e integrada. Por isso, uma estratégia europeia para a juventude é bem-vinda.

Todos os domínios de acção seleccionados são trans-sectoriais e não podem constituir acções isoladas. Estão interligadas e condicionam-se mutuamente. Assim, devem ser tratados de forma horizontal de acordo com as necessidades dos jovens.
O CESE, recebida esta comunicação da Comissão, para consulta, recomenda que:
- O trabalho de animação sócio-educativa e as estruturas para a juventude devem ser o elo principal na sensibilização dos cidadãos e na gestão de todos os domínios de acção propostos na estratégia da UE para a juventude, mediante uma abordagem trans-sectorial.
- A continuação do apoio à aprendizagem não formal enquanto complemento da educação.
- O estabelecimento de ligações entre a escola, o trabalho, associações e actividades de voluntariado deve ser prosseguido a nívelcomunitário e nacional.
- O apoio às actividades empresariais através de mecanismos definanciamento, que constitui um desafio, mas também e, sobretudo,uma necessidade.
- O espírito empreendedor não deve ficar limitado à vertente económica,devendo ser encarado de forma mais ampla.
- Os jovens devem ter um papel activo na sociedade, na medida em que a sua participação em todos os aspectos das suas vidas é condição essencial para desenvolver políticas para a juventude.

- Há que estabelecer uma vasta gama de sistemas de trabalho de animação sócio-educativa e bons serviços de cooperação em toda a Europa, a fim de evitar a marginalização. As acções destinadas à juventude em risco de exclusão social não devem buscar os jovens como beneficiários passivos de serviços sociais, mas sim como participantes activos.
O reconhecimento das competências obtidas em actividades de voluntariado é essencial, incluindo o reconhecimento no âmbito da educação formal. As competências e os conhecimentos não formais acumulados podem ser utilizados tanto no mercado de trabalho, como para reforçar a participação na vida civil.
Os projectos e as actividades devem fomentar nos jovens um sentido de solidariedade, consciência e responsabilidade generalizadas em relação à comunidade em geral.
O CESE lamenta que a estratégia proposta não especifique métodos de aplicação concretos nem formas de avaliar os progressos a nível europeu e nacional.
Os jovens devem estar no centro da estratégia. O trabalho de animação sócio-educativa e a participação em estruturas para a juventude constituem a forma mais eficaz de chegar até eles. Assim, a avaliação e a melhoria da qualidade do trabalho de animação sócio-educativa devem ser uma prioridade.

     
   Imprimir        Voltar        Topo
Copyright © 2007 SBN