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Liberdade e pobreza

Liberdade é um sentimento profundamente arreigado no ser humano que, de uma forma geral, a identifica como a capacidade de um indivíduo não ser submetido ao domínio de outro e por isso, ter pleno poder sobre si mesmo e sobre os seus actos. A capacidade de raciocinar e de valorizar, de forma inteligente, o ambiente que o rodeia, confere ao homem o sentido de liberdade, entendida como plena expressão da sua vontade. Actos como a escolha da profissão, da religião, o livre pensamento político são situações que permitem ao homem enfrentar- se a si mesmo, exigindo-se uma decisão unipessoal e responsável quanto ao seu futuro.

Em 1948, a Assembleia Geral das Nações Unidas adoptou a Declaração Universal dos Direitos Humanos, que engloba os direitos e liberdades, considerando que devem ser os objectivos de todas as nações. Do ponto de vista legal, o indivíduo é livre quando a sociedade não lhe impõe nenhum limite injusto, desnecessário ou absurdo. Nessa óptica, grande parte dos países praticá-la-ão. Mas será isso suficiente para que o ser humano se possa considerar livre? Será que a conjugação dessas premissas poderá considerar-se viver em liberdade? Penso que não.

Embora sejam condições essenciais, não as considero suficientes, já que a liberdade de um qualquer ser humano deve ser limitada – e só neste caso – pela liberdade do seu semelhante. Uma sociedade livre dá condições para que os seus membros desfrutem, igualmente, da mesma liberdade. Para a existência de verdadeira liberdade é necessário criar condições económicas, sociais, psicológicas e, porque não dizê- lo, existirem determinações de tipo biológico que, combinadas com as premissas enunciadas, permitam que qualquer cidadão, aí sim, seja determinante no seu desenvolvimento como ser humano.

Fala-se correntemente em liberdades públicas, políticas, sindicais, económicas, de opinião, de pensamento, de religião, etc. Participar livremente na escolha dos governantes, dos dirigentes sindicais, é um sintoma de liberdade. Mas… será que essa liberdade pode ser verdadeiramente exercida quando na sociedade existem diferenças sociais e económicas como as existentes no mundo de hoje? Será que a liberdade pode existir quando se acentua no mundo a exploração do homem pelo capital?

Será que essa liberdade pode ser exercida, quando um terço da população do planeta vive em estado de absoluta pobreza? Será que essa liberdade pode ser exercida quando o coração assim o exige…mas o estômago o proíbe? Eis um tema para reflexão.


Firmino Marques

 

     
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