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... De Saúde: Gripe A - tome nota

Saúde:
“Estado de completo bem-estar físico, moral e social e não apenas a ausência de doença ou enfermidade”
(O.M.S.)


Gripe A - tome nota

Pese embora toda a informação que os meios de comunicação social têm difundido desde há longos meses sobre a gripe causada pela estirpe A (H1N1), não posso deixar de vos transmitir umas notas bem como medidas tomadas pelo SAMS e que penso poderão ser de utilidade, sobretudo no contexto de epidemia que estamos a viver.

Para além dos cuidados de higiene largamente difundidos, nomeadamente a lavagem repetida das mãos sobretudo com produtos anti-virais de base alcoólica ou pelo menos com sabão de tipo azul ou rosa, o não levar as mãos à boca ou aos olhos, o espirrar ou tossir para lenços de papel ou, na sua falta, para as mangas ou antebraços e nunca para as mãos, quero lembrar-vos, sobretudo, os sintomas a que devem estar atentos para procurar, logo que eles surjam, ajuda médica ou outra para orientação da atitude a tomar.

Assim, se tiver um início súbito de febre (temperatura igual ou superior a 38) ou história de febre (igual ou inferior a 72 horas) e pelo menos dois dos seguintes sintomas: tosse, dores de cabeça, dores de garganta, dores musculares ou articulares, secreções nasais abundantes, vómitos e diarreia, contacte a linha Saúde 24 (808 24 24 24), ou os SAG (Serviços de Atendimento da Gripe), o hospital de referência da sua área ou o médico assistente. Em relação à febre, importa referir que em pessoas idosas ou imuno- deprimidas, a temperatura pode não atingir os 38 graus. É fundamental tomar todas as medidas para evitar a propagação do vírus, nomeadamente tendo em atenção todos os procedimentos que se devem adoptar em relação aos chamados contactos próximos de um doente.

O contacto pessoal com um caso, no período infeccioso (um dia antes até sete dias após o início dos sintomas), leva-nos a definir os chamados contactos próximos: coabitantes, pessoas que prestaram cuidados ou tiveram contacto directo com secreções respiratórias ou fluídos corporais do doente, pessoas que tenham estado a distância inferior ou igual a um metro por um espaço de tempo superior a uma hora, profissionais de saúde que tenham atendido um caso sem equipamento apropriado.

Quero também deixar uma nota aos chamados grupo de risco (risco acrescido de complicações ou de formas graves, com maior necessidade de hospitalização):
- crianças com idade inferior a 5 anos (sobretudo inferior a 2 anos) e adultos com mais de 65 anos;
- grávidas, sobretudo no segundo e terceiro trimestres;
- portadores de doenças crónicas respiratórias (incluindo asma), cardio-vascular, renal, hepática, hematológica, neurológica, neuromuscular e metabólica (incluindo diabetes e obesidade mórbida);
- imunosupressão (incluindo a induzida por medicação ou infecção por HIV);
- indivíduos com idade inferior a 18 anos que façam medicação crónica com salicilatos;
- doentes em instituições de cuidados continuados.

Quero também deixar uma nota que entendo ser bastante importante para que não tomem oseltamivir, cujo nome comercial mais conhecido é o Tamiflu, sem ser com indicação médica. Só o médico, após o exame clínico, poderá definir os casos em que esta medicação está indicada. A vacina para a gripe A é uma vacina com vírus mortos e produzida de uma maneira exactamente igual à da gripe sazonal. Pode eventualmente ocasionar efeitos secundários semelhantes aos da gripe sazonal, cuja gravidade não é de recear (ligeira febrícula e algum mal estar), mas que, face aos benefícios que provoca, devem ser completamente relegados para segundo plano.

Atendendo à dificuldade de obtenção, num curto período, de grandes quantidades de vacinas, entendeu o Ministério da Saúde que deverão prioritariamente ser vacinados os chamados grupos de risco – e mesmo estes deverão ser escalados por critérios bem definidos. Assim, e para conhecimento de todos, transcreve-se a divisão dos grupos de risco em A, B e C, sobretudo para que vejam se estão enquadrados em algum deles.


GRUPO A
Profissionais de Saúde:

- Profissionais que, pelo seu número, pela especialização e especificidade das suas funções, são dificilmente substituíveis;
- Profissionais que prestam cuidados a doentes de alto risco (por ex. em unidades de transplantes);
- INEM e ambulâncias do Sistema Integrado de Urgência Médica (profissionais envolvidos ma prestação directa de cuidados;
- Instituto Português do Sangue (profissionais envolvidos na colheita de sangue;
- Linha Saúde 24 (enfermeiros e agentes de linha);
- Grávidas no 2º e 3º trimestre (12ª semana de gestação ou +), com patologia associada;
- Grávidas no 2º e 3º trimestre (12ª semana de gestação ou +), sem patologia associada;
- Doentes com + 6 meses e + de 65 anos com asma moderada a grave, sob terapêutica crónica (pelo menos durante 3 meses, nos últimos 12 meses) com corticosteróides inalados em doses médias/ altas ou sistémicos e/ou internamento por asma em 2009;
- Doentes com obesidade mórbida, actualmente:
   - Crianças com + de 10 anos (IMC > 25)
   - + 10 anos e – 18 anos (IMC > 35)
   - Adultos com + 18 anos (IMC > 40)
- Indivíduos com doença respiratória crónica desde a infância (ex: fibrose quística, displasia broncopulmonar);
- Indivíduos com doença neuromuscular com compromisso da função respiratória (ex: distrofia neuromuscular);
- Doentes imunodeprimidos no decurso de transplantação, terapêuticas biológicas ou neoplasias hematológicas;
- Titulares de órgãos de soberania e profissionais que desempenham funções essenciais (1ª linha);
- Coabitantes de crianças com idade inferior a 6 meses portadoras de doença grave;
- Excepcionalmente, outras pessoas portadoras de doença crónica grave, por analogia com as contempladas nos pontos anteriores.


GRUPO B
Doentes com idade inferior a 65 anos e:

- Diabetess mellitus insulino-dependente;
- Doença pulmonar obstrutiva crónica (DPOC) e outras doenças respiratórias crónicas com insuficiência respiratória crónica (ex: fibrose pulmonar, sequelas de tuberculose, pneumoconioses);
- Doença cardiovascular: cardiopatia congénita, isquémica, hipertensiva, insuficiência cardíaca congestiva, excluindo hipertensão arterial isolada;
- Doença hepática: atrésia biliar, cirrose, hepatite crónica com alteração da função hepática e/ou terapêutica antiviral;
- Doença renal: insuficiência renal crónica, principalmente em doentes em diálise;
- Doença hematológica: hemoglobinopatias major;
- Imunodepressão (todas as idades): primária, secundária, nomeadamente infecção por VIH (doentes não integrados no grupo anterior);
- Asma (doentes não integrados no grupo anterior);
- Terapêutica mantida com salicilatos em indivíduos com – 18 anos (ex. doença reumática auto-imune, doença de Kawasaki). Profissionais de Saúde:
- Profissionais de Saúde em contacto directo com doentes;
- Profissionais que desempenham funções essenciais (2ª linha).
Excepcionalmente, outras pessoas portadoras de doença crónica grave, por analogia com as contempladas nos pontos anteriores do Grupo B.


GRUPO C

- Doentes com – 6 meses, não indluídos nos grupos A e B, com doenças crónicas, à semelhança do recomendado para a vacinação da gripe sazonal;
- Obesidade (IMC >29);
- Crianças com – ou + 12 anos (ou + ou – 5 anos, dependendo da disponibilidade de vacinas);
- Dadores regulares de sangue (duas dádivas nos últimos 12 meses);
- Estudantes de Medicina e Enfermagem (anos clínicos);
- Profissionais que desempenham funções essenciais (3ª linha);
- Outros, por analogia com as situações anteriores do Grupo C.

Para já, a orientação que o Ministério da Saúde dá, é de que quem estiver incluído em qualquer um destes grupos deverá solicitar ao seu Médico (hospitalar, privado, de família, etc.) que lhe passe uma declaração referindo a patologia de que sofre a fim de ser apresentada no seu Centro de Saúde, local onde unicamente serão aplicadas as vacinas.
Relativamente aos SAMS tomou o Conselho de Gerência juntamente com o Director Clínico as seguintes medidas:

1. A admissão de um doente suspeito de ser portador de gripe A deve ser orientada pelo porteiro que o encaminhará para uma sala de isolamento.
2. Deve imediatamente ser fornecida na portaria uma máscara ao doente bem como fazer a higienização das mãos com uma solução anti-séptica de base alcoólica.
3. Se o doente vier acompanhado deverá o acompanhante fazer a sua inscrição.
4. Deverá ser avisado o Médico que nessa altura estiver indicado para ver doentes com gripe (segundo uma escala a efectuar) de que se encontra um doente na sala de espera de isolamento.
5. Posteriormente deverá a enfermeira que estiver escalada nesse dia acompanhar o doente para ao gabinete Médico apropriado onde lhe avaliará a temperatura, as tensões arteriais e outros parâmetros vitais.
6. Seguidamente será observado clinicamente cabendo ao Médico a tomada de uma decisão quanto à terapêutica e ao encaminhamento do doente em função de parâmetros definidos pela DGS e que constarão dum dossier que estará disponível na secretária.
7. Deverá ser disponibilizado nestes serviços OSELTAMIVIR (Tamiflu) para se o Médico entender administrar a primeira dose.
8. Quer o Médico quer a Enfermeira deverão usar equipamento definido nas normas, nomeadamente bata impermeável, avental e máscara apropriada.
9. Os doentes que se dirijam ao Posto Clínico de C. Reis, com sintomas de gripe, deverão ser encaminhados para o Posto Clínico de S. Brás.
10. Quanto aos restantes Postos Clínicos e por falta de meios técnicos e humanos, deverão ser direccionados para os serviços de referência da respectiva zona.

Estas normas poderão ser alteradas em função de actualizações que a DGS faz permanentemente e às quais estaremos sempre atentos para as publicitar.

 
Luis Aguiar
Director Clínico do SAMS

 

     
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