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Natal Emigrante

Quanto me dói, cá dentro, este Natal!
Entretanto vou sorrindo,
A desejar ao mundo inteiro
Aquela paz que eu devia ter primeiro…
A chuva que o vento esmaga na vidraça,
Não me atinge, nem magoa.
Dói-me é o vento que passa,
Furioso, a subir a minha rua.
Geme, em uivos prolongados,
Grita uma dor que não sente
Mas gemendo finge,
E fingindo mente!...
Ele nem sonha quanto eu já sofri,
Com saudades do meu amor ausente,
Na dolorosa solidão de ti!...

Neste natal, tão injusto e tão gelado.
Meu Amor distante, o meu sonho é ser de novo
O agasalho macio que logo te aquece,
A balada bonita que fica no ouvido,
A fruta madura que tanto apetece,
Aquele arrepio que andava esquecido,
O ponto de apoio que nunca esmorece…
Morar nos teus sonhos e ser envolvido,
Na tua loucura, quando ela acontece…
Depois, encostada ao calor do meu peito…
Enleada comigo, abraçada ao teu jeito,
Poder afagar-te, sem orgulhos vãos,
Ó meu fogo posto, em chamas nas minhas mãos!


Francisco Rodrigues

 

     
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