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Veterano

Sou do tempo em que o futuro era infinito
Inventava, a cores, todos os meus dias.
Foi um tempo em que o tempo demorava
A deixar que eu sorvesse, em cada dia,
Tudo que de bom me acontecia.
Era um tempo em que o tempo não contava
Era apenas tempo inteiro de viver.
E o futuro que nunca mais chegava!...
Mas passou… a correr!...

Sou do tempo em que a luta virou sina:
Era o tempo de correr, já contra o tempo,
Descuidado de aprender o que ele ensina.
Foi um tempo em que a corrida acelerava,
Sem dar tempo de pensar porque corria,
Mais e mais, em cada dia que passava:
Tempo escasso de abraçar o que surgia,
No horizonte vasto de uma intensa vida
Que passou… de fugida!...

Sou do tempo em que o mau tempo se instalava
A pintar-me longos dias de cinzento;
E o bom tempo, quantas vezes, demorava,
E se vinha era fugaz, tal como o vento.
Fui dum tempo em que tive asas… mas voou!
Sinto ainda marcas fortes que deixou…
Sou do tempo que o futuro me vai dar,
Para alinhar estas memórias duma vida,
E descansar… em seguida.

Fui do tempo, pouco tempo,
Rasguei nuvens de segredos,
E neblinas de mistérios.
Entrei no tempo dos medos,
E ao olhar serenamente
Todo o meu tempo vivido
Esta esperança ascendi:
A de que após ter morrido,
Eu saberei que nasci?!...


Francisco Rodrigues

 

     
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