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O disfarce

Veste-se a noiva de virgem,
Mesmo que saiba não ser;
O fanfarrão mete medo
Mesmo que esteja a tremer.

A feia pinta-se muito,
Em busca da sua boda;
E a jeitosa tem peneiras,
De não ter a escola toda.

A sida apanha os incautos
Disfarçada de prazer.
A guerra finge-se justa,
Como se pudesse ser.

O servo no seu trabalho
Passa o tempo a descansar;
O patrão finge que é pobre,
Na hora de lhe pagar.

A ignorância passa as marcas,
Costuma ser atrevida;
O nosso tempo é tão falso,
Que até nos falseia a vida.

Vou parar a ladainha
Dos incontáveis enganos;
Sei que os não diria a todos,
Mesmo vivendo cem anos.

Por aqui me vou ficar,
Não seguirei mais no encalço;
É que, reparando em mim,
Sou também poeta falso.


Francisco Rodrigues

 

     
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