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Incontinência urinária feminina

Contextualização
A Internacional Continence Society define a incontinência urinária como “perda involuntária de urina que representa um problema de higiene ou social para o indivíduo e que pode ser objectivamente demonstrável”.
Trata-se de um problema muito prevalente na nossa população afectando 10 a 20% das mulheres com idade entre os 15 e os 64 anos e até 40% de mulheres com idade superior a 60 anos.
Tendo em conta que se trata de uma patologia com maior ocorrência em idades mais avançadas e dado que assistimos a um envelhecimento da população, com tendência para a inversão da pirâmide populacional, este problema vai, cada vez mais, ter repercussões evidentes.
A nível pessoal, muitas das afectadas acabam por desistir de actividades, profissionais ou de lazer, pelo risco de poderem ter perdas urinárias com todo o estigma social que a dificuldade em manter a continência urinária representa.
A nível social estamos perante uma situação que leva muitas vezes ao absentismo, quer pela situação em si, quer pela necessidade de tratamento, o que por outro lado também se faz repercutir economicamente, quer para a pessoa em causa quer para a entidade empregadora.
Não obstante todo o sofrimento que esta condição causa, muitas das vezes existe tendência para subvalorizar o problema e protelar a sua exposição a profissionais de saúde.
Este fenómeno pode ter como base a vergonha da exposição, a convicção que se trata da evolução normal ao longo da vida ou muitas vezes o desconhecimento que este tipo de situações podem ser melhoradas ou tratadas.

Factores de risco/Etiologia
Este tipo de patologia não tem uma única causa, tem antes vários factores que consoante as características individuais e constitucionais da própria pessoa, causam ou não incontinência urinária. Alguns dos factores implicados são: o avançar da idade, o estado hormonal (com aumento deste tipo de patologia em mulheres que estejam em menopausa), o números de gravidezes (quantas mais maior o risco), o trabalho de parto e o trauma durante o trabalho de parto (maior risco principalmente para trabalhos de parto prolongados com recém nascidos pesados), algumas doenças neurológicas e cirurgias anteriores da região pélvica.

Caracterização
Existem vários tipos de incontinência urinária, alguns dos quais pormenorizados em seguida. A Incontinência Urinária de Esforço é caracterizada pela perda involuntária de urina, tal como o próprio nome indica, pelos esforços como a tosse, os espirros, o levantamento de pesos ou actividade física. Na Incontinência Urinária de Urgência há pela perda de urina acompanhada ou precedida de uma vontade imperiosa de urinar. Já na Incontinência Urinária de Mista coexistem características da Incontinência urinária de esforço e de urgência. Uma Incontinência Urinária por Over-flow ocorre quando a bexiga se encontra preenchida até à sua capacidade total, não ocorrendo o seu esvaziamento e assim qualquer produção de urina resulta na perda de pequenos volumes de urina.

Avaliação
O historial clínico assume um papel crucial. Por exemplo, um aspecto que é importante, passa pela identificação de factores extrínsecos que causam ou agravam o problema. Alguns exemplos são alterações psíquicas, infecção do tracto urinário ou genital, existência de atrofia das mucosas por défice de estrogénios, alguns fármacos, excesso de produção de urina por exemplo por reabsorção de edemas nocturna, restrição da mobilidade e patologia respiratória com tosse crónica. Obviamente também o exame físico e os meios auxiliares de diagnóstico têm aqui o seu papel. Nestes últimos, por exemplo, pode-se excluir uma infecção urinária com um exame bacteriológico de urina ou uma malformação anatómica através de exames de imagiologia ou esclarecer algumas situações através de estudos urodinâmicos.

Tratamentos
O tratamento deve ser individualizado não só de acordo com o tipo de incontinência urinária, mas também de acordo com as características da pessoa. Alguns dos tratamentos disponíveis figuram na seguinte tabela.

Tipo de incontinência urinária  Tratamento
Incontinência Urinária de Esforço Modificações comportamentais
Alterações farmacológicas
Estrogénios tópicos
Fortalecimento do pavimento pélvico
Cirurgia
Incontinência Urinária de Urgência Modificações comportamentais
Medicação
Incontinência Urinária de Mista Tratamento de ambos os componentes com maior ênfase
ao que perturba mais a qualidade de vida
Incontinência Urinária por Over-flow Algaliação intermitente


Dra. Cátia Rasteiro
Médica especialista de ginecologia e obstetrícia

 

     
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