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O (des)emprego

A gravíssima crise económica e financeira que tem convulsionado o mundo trouxe-nos a angustiante sensação de que chegámos ao final de uma época sem que se consiga vislumbrar o que - e como - virá de seguida.

Nenhum cidadão minimamente sensível pode deixar de lamentar o visível e instalado agravamento das tensões que se vive nas relações interpessoais e nas instituições em geral, desde a política à familiar. Cuidado com o lema de “dividir para reinar…” Seja em que sector for, as desavenças e os conflitos acabam invariavelmente por tomar conta do espaço psicológico e por levar, inclusive, a uma dolorosa atmosfera de animosidade, com consequências funestas para a pacificação e a harmonia de toda a sociedade…

Entretanto, o que fazemos nós? Assistimos, impávidos e serenos, impotentes, ao avanço esmagador dos grandes grupos económicos e financeiros, loucos por conquistar, com todos os meios ao seu alcance - legais ou ilegais -, mais e mais poder, mais e mais dinheiro …

Quando a cada dia aumenta o número de desempregados, podem os trabalhadores deixar a saída da crise nas mãos dos “peritos”, esses precisamente – os banqueiros, os políticos, os directores das grandes multinacionais, os especuladores – que com a cumplicidade dos meios de comunicação social e com a soberba de quem se considera possuidor da razão – e, quiçá, ser mesmo a razão da nossa existência –, nos apodam de desestabilizadores e arruaceiros quando timidamente protestamos pelos nossos direitos? É tempo de tomada de consciência… é tempo de dizer basta…

É tempo de os trabalhadores acordarem para a realidade… É tempo de prepararmos o destino, de defender para sempre a nossa felicidade pessoal e colectiva. É tempo de nos perguntarmos se vão por fim acabar os paraísos fiscais… É tempo de exigirmos uma investigação séria sobre a origem de gigantescas fortunas… É tempo de pôr fim as engenharias financeiras opacas que, em muitos casos, mais não são que massivas lavagens de dinheiro negro… É tempo de acabar com os expedientes habilmente preparados para benefício dos conselhos de administração e contra os trabalhadores, senão…

Se não formos nós próprios – os trabalhadores –, quem resolve o problema de milhões de desempregados, únicas vítimas da crise para a qual pouco ou nada contribuíram? Os trabalhadores sabem que, para sair desta crise são um “instrumento” fundamental… Os trabalhadores jamais aceitarão ser os “bodes expiatórios” dos erros do sistema… Como alguém afirmou, “dizer não ao desemprego é um dever ético, um imperativo moral”.


Firmino Marques

 

     
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