Pesquisa

ok
Home»Nortada»Nortada Detalhe
 
“Portugal está sujeito a uma crise complicada” - disse João Proença nos Açores

“Portugal está sujeito a uma crise complicada que fez com que o défice no ano passado tenha aumentado, por via de eliminação de receitas” – afirmou o secretário-geral da UGT, João Proença, em entrevista concedida ao “Jornal dos Açores”, arquipélago onde se deslocou para a criação da união regional de sindicatos daquela central.

Proença acrescentou: “Se há menos actividade económica, há menos receitas e até houve aumento da fraude. O IVA diminuiu mais do que seria previsível, só em termos da diminuição da actividade económica. Por outro lado, houve um aumento de despesas de combate à crise e, portanto, o défice aumentou.” Comentando a política europeia que determina que os Estadosmembros têm de retomar o défice de 3% até 2013, não se furtou a transmitir as preocupações dos sindicatos da UGT: “Vai ser difícil e vai gerar algum sacrifício.

Por outro lado, tenhamos presente que hoje, em termos internacionais, assiste-se a uma certa guerra entre aqueles que são responsáveis pela crise, que deram origem à crise e pretendem manter tudo na mesma. Pretendem que os trabalhadores – que pagam os impostos – também paguem a crise e querem continuar a receber os lucros.

Portanto, assistimos também a um forte combate a governos democráticos que, na prática, pretendem e defendem que haja regras de regulação financeira, que haja preocupações sociais, que haja um Estado social. Por isso, assistimos, com muita preocupação a um forte ataque através das agências de rating e de empresas de consultoria que, através de organizações internacionais, pretendem defender regalias e privilégios a todo o custo.”

Aquele sindicalista aproveitou para aprofundar o seu pensamento: “Tendo Portugal, esporadicamente, dificuldades em termos de endividamento externo e de desequilíbrios da balança de pagamentos, é evidente que temos hoje um endividamento que condiciona fortemente a capacidade de o país dialogar com as instituições financeiras, os bancos, e outras instituições que acabam por financiar também o défice do Estado português.

Por isso, tem de haver alguma resposta em termos de combate ao défice, aos desequilíbrios orçamentais e aos equilíbrios da balança de pagamentos.” Referindo-se, mais concretamente, ao Plano de Estabilidade e Crescimento, sublinhou: “Entendemos que o PEC tem de ter, necessariamente, preocupações sociais. Não pode ser só PEC económico- financeiro que permita a manutenção e que reforce as desigualdades. A ser assim, esse é um PEC que consideramos totalmente inaceitável.

E posso dizer que até hoje não houve qualquer discussão pública sobre as prioridades em termos de PEC, a não ser esta noção de que temos que procurar diminuir o défice e aumentar a competitividade. Nós somos favoráveis a políticas que promovam o crescimento, a competitividade e o emprego, com maior diálogo social, com maior participação, com maior preocupação social e combate às desigualdades.”

Outro tema que mereceu a atenção na entrevista prendeu-se com a questão salarial: “É evidente que os salários portugueses, ao serem comparados com os dos outros países da União Europeia, estão na metade de baixo e não na metade de cima, também porque os outros são mais competitivos e têm maior produtividade. A culpa não é dos trabalhadores, mas é uma realidade. Os nossos trabalhadores, em Portugal, quando em empresas bem organizadas, têm altos níveis de produtividade; quando em empresas mal organizadas, têm baixos níveis de produtividade. A nossa produtividade média em Portugal é baixa, comparando com a média comunitária, e isso faz com que os nossos salários também sejam baixos.

Por outro lado, Portugal é um dos países em que há mais desigualdades sociais, entre os 10% que ganham mais e os 10% que ganham menos. É o terceiro país da União Europeia com maiores disparidades salariais. São realidades que temos de vencer. Se as empresas pagarem mais salários do que podem, também vem o aumento do desemprego. E temos de ter políticas que criem condições para combater as desigualdades, porque há empresas que têm lucros abusivos e pagam baixos salários.

Muitas vezes, dentro das próprias empresas, há grandes desigualdades salariais injustificadas. Mas não sejamos utópicos e pensar que os salários se decretam. Os salários têm a ver com a riqueza criada e nós batemo-nos para que a riqueza criada seja cada vez maior e que os salários cresçam rapidamente. Ou seja, tem de haver política de crescimento de competitividade e de emprego.”

 

     
   Imprimir        Voltar        Topo
Copyright © 2007 SBN