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Não digas dos outros…

José Amaral

Por termos sido um país habitado por uma amálgama de povos que foram ferozmente antagónicos ao longo das suas estadas na Península Ibérica, daí resultou a miscigenação aglutinadora do povo que hoje somos.

Por isso, somos portadores de uma umbilical e endógena genética diversa e profundamente contraditória.

A toda essa cadeia ancestral humana, construída ao longo de mais de um milénio, o português atual, perante as vicissitudes do mundo global, vive no presente, esse passado cheio de contradições comportamentais.

Por isso mesmo, ouvimo-lo constantemente dizer mal de si próprio, uns dos outros, como se não fôssemos parte integrante do mesmo ancestral povo.

Daí resulta sermos invejosos, maldizentes, individualistas, egoístas, trapaceiros e, sobretudo, cairmos na constante invocação do santo nome de Deus em vão, uma vez que, ao mesmo tempo que batemos com a mão no peito pedindo perdão pelos nossos maus atos, com a outra mão somos logo capazes de esbofetear o próximo, esquecendo de que não devemos fazer ao semelhante aquilo que não queremos que nos façam.

Resumindo: os outros são corruptos e nós somos uns anjos patudos, cheios de saloias artimanhas, impregnados daquilo que institucionalmente se chama de chico-espertismo.

     
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