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História das Abelhas (X)

Novas Pesquisas explicam porque as abelhas desaparecem


As abelhas têm vindo a desaparecer desde quase há uma década até agora e os cientistas têm procurado com denodo as causas para compreender este problema. Algumas fontes relatam que em todo o mundo as colónias vão desaparecendo devido à acção dos pesticidas, a frequências eletromagnéticas, a ácaros e mesmo a culturas com organismos geneticamente modificados, mas há pesquisas recentemente realizadas que apontam novas causas para a catástrofe que ataca as abelhas.


O colapso das colónias de abelhas (CCD) é um problema grave que ameaça a saúde das abelhas e a estabilidade económica da apicultura comercial e as operações de polinização em todo o mundo. Apesar do número de alertas dos media e da comunidade científica, a causa ou as causas do CCD ainda não foram identificadas pelos investigadores.
Os Serviços de Investigação dos departamentos agrícolas e as agências internacionais de investigação têm conduzido variados esforços para encontrar as possíveis causas do CCD, valorando a proteção da saúde das abelhas, promovendo boas práticas de manejo apícola, estudando as doenças e os parasitas das abelhas e como aumentar o seu controlo. Igualmente, um número de outros serviços e departamentos de agricultura, de universidades e de empresas privadas apoiam estudos para procurar a causa ou as causas do CCD.


Porque é que as pessoas se devem preocupar com as abelhas?

A polinização pelas abelhas é responsável por mais de quinze milhões de dólares pelo aumento do valor das colheitas em cada ano. Por cada três garfadas na nossa dieta alimentar, uma beneficia direta ou indiretamente da polinização das abelhas.
A produção comercial de muitas espécies de culturas, como as amêndoas e outras frutas de casca, as bagas e os cereais, os frutos e os vegetais dependem da polinização das abelhas. Estes são os alimentos que fornecem à nossa alimentação diversificada os sabores e a nutrição.
As abelhas são mais prolíficas e mais fáceis de manejar para a polinização de vastos e variados campos de colheitas. As amêndoas, por exemplo, são completamente dependentes das abelhas para a polinização. Na Califórnia a indústria das amêndoas exige a contribuição de 1,4 milhões de colmeias, aproximadamente 60% de todas as colónias de abelhas exploradas comercialmente nos EUA.
Enquanto um conjunto de quatro causas potenciais (patogénese, parasitas, estresse do manejo e estresse do ambiente) tem sido maioritariamente apontado pela maior parte dos investigadores e grupos de interesse, nenhuma dessas causas foi escrutinada, a fundo, em todos os detalhes. De todas as vezes que há um alerta de ‘fumo branco’, as investigações posteriores não encontram uma relação de causa-efeito. Outras vezes, nem sequer foi demonstrada uma relação científica no estudo como sendo a causa do CCD. Os investigadores têm concluído que não há um só fator que seja a causa do CCD.
É consensual que o CCD é causado por múltiplos fatores. Não é possível saber neste momento se os incidentes de CCD são devidos ao mesmo conjunto de fatores, ou se os fatores seguem a mesma sequência em cada caso.
Uma outra explicação que tem sido apresentada é a de que um conjunto de factos ambientais estressantes poderiam inesperadamente enfraquecer as colónias, conduzindo ao colapso quando as colónias fossem expostas ao estresse adicional de patogénese, parasitas, ou estresse pesticida. O estresse, em geral, compromete o sistema imunitário das abelhas e pode destruir o seu sistema social, deixando as colónias mais suscetíveis à doença.
De acordo com uma recente reportagem da revista Quartz, pesquisas recentemente realizadas apontam novas causas para a catástrofe que ataca as abelhas. Estes estudos determinavam que quantidades enormes de abelhas estão a morrer devido a contaminação cruzada do pólen por vários pesticidas:

“Os cientistas têm-se esforçado para encontrar a ‘causa’ do denominado Colapso das Colónias de Abelhas, que destruiu 10 milhões de colónias, o equivalente a 2 biliões de dólares, nos últimos seis anos. […] Os cientistas da Universidade de Maryland e o Departamento de Agricultura dos EUA identificaram uma amálgama de pesticidas e fungicidas contaminando o pólen que as abelhas recolhem para alimentar as colmeias. Estas descobertas acrescentam novos dados à discussão, porque elevado número de abelhas está a morrer, embora não identifiquem a causa específica do CCD, em que uma colmeia inteira morre de uma vez.”

Os investigadores deste estudo, que foi publicado na PLOS ONE, recolheram pólen de colmeias na costa leste – incluindo pólen de arando (mirtilo) e de melancia – e alimentaram com ele abelhas saudáveis. As abelhas testadas experimentaram um sério declínio na capacidade de resistir ao parasita que provoca o CCD.
Foi constatado que o pólen com que as abelhas foram alimentadas tinha uma média de nove pesticidas e fungicidas diferentes e uma amostra continha uma amálgama mortífera de 21 químicos diferentes. Além disso, os investigadores verificaram que as abelhas que comeram o pólen com fungicidas foram três vezes mais infetadas com o parasita.


Quais as conclusões deste estudo?

Os fungicidas desempenham um elevado papel no colapso das colmeias de abelhas, maior do que hipoteticamente se julgava antes. Enquanto os neonocotinóides foram ligados às mortes massivas de abelhas, acredita-se que a maior parte dos fungicidas são altamente letais para as abelhas.
O estudo mostra que mais do que os pesticidas isolados, é a combinação de químicos tóxicos que é nociva para as abelhas. Infelizmente, há mais a acrescentar a este cenário. Não são apenas os tipos de químicos que é preciso regulamentar, mas também as práticas de aplicação. As amostras testadas nas abelhas não foram recolhidas apenas nas culturas agrícolas, mas das sementes e flores silvestres, o que significa que o inseto, na sua integridade, é mais largamente exposto aos pesticidas do que se pensa.

Os autores resumem no seu estudo: “Deve ser prestada mais atenção ao modo como as abelhas são expostas aos pesticidas fora do campo onde são instaladas. Detetámos 35 diferentes pesticidas nas amostras de pólen e encontrámos altas cargas de fungicidas. Os inseticidas esfenvalerate e phosmet encontraram-se em concentrações superiores à dose média letal em pelo menos uma amostra. Enquanto os fungicidas são tipicamente vistos como de alguma segurança para as abelhas, encontrámos um aumento de probabilidade de infeção de nosema nas abelhas que consumiram pólen com uma carga de fungicida maior. Os nossos resultados alertam para a necessidade de se investigarem os efeitos subletais dos fungicidas e outros químicos a que as abelhas estão expostas, quando são instaladas, para polinização, nos campos de cultura agrícola.”

Enquanto a situação parece ser clara – químicos espalhados nas culturas agrícolas matam abelhas – os detalhes do problema continuam a ser mais complexos. O assunto inclui o que pode ser espalhado, onde, como e quando, para minimizar os efeitos negativos nas abelhas e outros polinizadores, e manter a produção das colheitas agrícolas.
Para manter o equilíbrio entre a humanidade e o ecossistema é preciso introduzir mudanças de comportamentos, mas com a racionalidade de não afetar a estabilidade do status económico. Por esta razão, preservar a sustentabilidade do nosso mundo é um desafio de todos nós.
Presentemente, os cientistas estão ainda a trabalhar para descobrir em que grau e por que as abelhas são afetadas. O espaço de tempo antes que os novos sistemas sejam regulados e implementados é o intervalo de grande significado em que o público deve proteger as valiosas obreiras que são fundamentais para a sustentabilidade da vida na Terra.

Escolhendo alimentos ecológicos, produtos responsáveis pelo ambiente e ajudando a criar respostas conscientes e de cidadania, poder- se-á fazer maravilhas no sentido de radicalmente evitar que o declínio das abelhas venha a afetar toda a gente.

     
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