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Home»Nortada»Nortada Detalhe Maio e Junho 2016
 
37ª Caminhada

Rota dos moinhos, em Albergaria-a-Velha

Realizou-se no passado dia 9 de abril a 37ª caminhada, com a presença de cerca de uma centena de participantes (setenta associados e 29 acompanhantes), nas terras do concelho de Albergaria-a-Velha, no distrito de Aveiro, com a colaboração especial da Câmara Municipal e participação dos seus dirigentes, particularmente do vice-presidente, Delfim dos Santos Bismarc.
A caminhada dividiu-se em duas partes distintas. A primeira teve uma extensão aproximada de nove quilómetros e efetuada numa manhã de intensa chuva e nevoeiro que, mesmo assim, não fez desistir os participantes.
A concentração ocorreu junto ao emblemático edifício da Biblioteca Municipal de Albergaria-a-Velha, em direção à ruralidade do concelho, entre mata e floresta, percorrendo um dos principais troços do Caminho dos Moleiros, que servia de ligação aos moinhos de utilização sazonal no Rio Caima.
A meio do caminho, foi oferecido pelo município o abastecimento normal para este tipo de eventos e, na visita aos moinhos da Freiroa, os participantes puderam testemunhar o que aí se faz de bom – uma farinha que proporciona uma excelente broa (de frutos e também de chocolate), assim como deliciosos biscoitos. Após a etapa matinal foi servido o almoço na Adega da Casa da Alameda, onde foram saboreados os rojões ali confecionados e, posteriormente, vitela assada com arroz no forno. De tarde, e com o sol finalmente a aparecer, a caminhada continuou pela Rota dos Moinhos, por entre estradas municipais – de autocarro, cerca de três quilómetros – e a pé, por caminhos rurais, até aos moinhos, que foram visitados.
Os Moinhos de Água predominam em Albergaria-a-Velha, o concelho com o maior número de moinhos inventariados da Europa, que constituem um dos elementos mais importantes da paisagem rural das linhas de água que percorrem todo o município. São elementos com elevado valor patrimonial que deliciaram a vista. Albergaria-a-Velha é uma terra de tradições feitas de água, pão e moinhos.
A caminhada iniciou-se com a visita ao moinho do Maia, onde gentilmente ofereceram pão ali confecionado e bem acompanhado. Em tempos era conhecido como Moinho do Tupinho, tendo em conta o nome do atual e anterior proprietário. A construção remonta, pelo menos, ao século XIX. Atualmente, composto por um único casal de mós dos três que outrora apresentava, possui casa de moleiro adjacente, com um interessante forno tradicional. Refira-se que os trabalhos de recuperação do engenho de moagem deste moinho estiveram a cargo de um artesão local, mestre nas técnicas tradicionais utilizadas desde sempre na construção destes engenhos, ele próprio igualmente residente no Fial, onde também é proprietário de um pequeno moinho de lavrador. De seguida, foi visitada a Cova do Fontão. A construção remontará ao século XIX, tendo ao longo dos tempos ali habitado e exercido a atividade várias gerações de moleiros. Trata-se de um moinho de rodízio, originalmente com quatro casais de mós, estando atualmente apenas três em funcionamento. Possui, ainda, mais dois casais de mós, em tempos acionados a energia elétrica.
No interior sente-se o facto de ali se ter moído até aos nossos dias, pelo moleiro mais
antigo em atividade no concelho.
Naquele lugar, e ao longo do trecho de cerca de cinco quilómetros da Ribeira do Fontão que atravessa a freguesia, existem vestígios e registo da existência de 21 moinhos de rodízio, a esmagadora maioria de média dimensão – entre três e seis casais de mós – , o que caracteriza a que foi uma das mais importantes comunidades de moleiros e padeiras da região.
Mais um pouco à frente e no meio da floresta, os caminhantes tiveram oportunidade de saborear o pão confecionado no moinho do tio Miguel. É um moinho de rodízio com três casais de mós acionados pelas águas da Ribeira do Fontão, sendo que atualmente somente dois se encontram em funcionamento e cuja construção remonta, pelo menos, ao século XIX. Trata-se de um moinho que também mói arroz, pertencente a um moleiro profissional, facto que se pode comprovar pelo número de casais de mós e pela casa de moleiro adjacente.
Por último, foi visitado o moinho Chão do Ribeiro, de rodízio, com um único casal de mós acionado pelas águas do Ribeiro de Mouquim, cuja construção remonta, pelo menos, ao início do século XX. Trata-se de um moinho de consortes ou de herdeiros. Foi adquirido e recuperado pela Junta de Freguesia, continuando ao dispor da população local. Encontra-se integrado num aprazível parque de lazer, onde os visitantes podem deliciar-se com um excelente pão com chouriço, de confeção local.

     
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