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Home»Nortada»Nortada Detalhe Maio e Junho 2016
 
Novo Banco: o processo da vergonha!

Luís Campilho – operacional do Departamento de Leasing e Factoring do Novo Banco nas instalações da Rua José Falcão (Porto) – acedeu contar à nossa revista o processo de perseguição de que está a ser vítima (juntamente com outros colegas), pelo facto de não ter aceite uma proposta de rescisão dita “amigável”. Ele é um dos rostos visíveis deste “processo de vergonha”.

P. Como é que tudo começou?
LC.
Fui uma das pessoas contactadas numa primeira fase, em março, pelo Departamento de Recursos Humanos, para uma proposta dita de “rescisão amigável”. Depois dessa abordagem foi-me dada uma semana para refletir. No mesmo dia da semana seguinte, à mesma hora, fui convocado para nova reunião, com a finalidade de transmitir a minha resposta.

P. E qual foi então a decisão?
LC.
Voltei a informar que não estava mesmo interessado. Foi então que tentaram demover- me, perguntando-me se tinha amadurecido convenientemente a ideia. Por outro lado, tentaram ir ainda mais a fundo no que se refere aos fundamentos que alicerçavam a minha decisão, colocando-me questões que considerei, não apenas desnecessárias para o contexto da conversa, como até inconvenientes sob o ponto de vista pessoal, numa atitude que talvez se destinasse a forçar-me a reverter a opinião que já tinha formalizado. E, ainda por cima, nessa oportunidade acabaram por me entregar uma carta, dispensando- me do dever de assiduidade até ao final de abril…

P. Pelo menos até essa data a situação entrou em período de acalmia?
LC.
Não, voltou a agitar-se, porque em meados de abril tornei a ser contactado, mas então telefonicamente, para uma nova reunião, por um dos advogados do banco que tinha estado comigo da primeira vez. E logo aí lhe perguntei o porquê da convocatória. Ou seja, queria saber qual o assunto, uma vez que pressupunha que tal chamada era suscetível de proporcionar novidades ou alterações relativamente à situação anterior, o que seria natural…

P. Quais foram então as novidades, as mudanças, que havia a comunicar?
LC.
Pois aí é que está o meu espanto. Respondeu- me que era para se falar exatamente da mesma matéria e que, em conformidade, não havia qualquer alteração por parte da proposta que me tinha sido avançada pelo banco. Foi então que lhe disse que, ficando as coisas nesse ponto, também eu mantinha a posição já comunicada e que, portanto, considerava totalmente desnecessária a tal segunda reunião. Seria uma pura perda de tempo. Não mais do que “chover no molhado”. Logicamente, na sequência deste telefonema, a tal reunião ficou sem efeito.

P. E depois, como é que a situação se desenvolveu?
LC.
A partir daí, a única novidade aconteceu no dia 30 de abril, altura em que recebi uma carta registada prolongando o período de dispensa de assiduidade até ao final de maio. Mas permita-me um parêntesis para referir que durante todo esse tempo jamais faltei ao trabalho. Até que maio chegou.

P. Pelos vistos, no vosso caso, maio não terá chegado com cravos, mas apenas com espinhos…
LC.
E de que maneira! Por exemplo: a partir do dia 2, deixei de ter acesso informático ao posto de trabalho, ou seja, passei a só poder usar o telefone, o que resulta num prejuízo muito claro para a atividade, uma vez que, nos tempos que correm, cerca de 95 por cento do trabalho que executamos no nosso departamento é informático, isto é, através do computador.

P. Como se sentiu, quando foi confrontado com essa situação?
LC.
Muito isolado. Marginalizado, mesmo. E, em termos profissionais, completamente de mãos atadas…

P. E no que diz respeito à componente emocional?
LC.
Isso ainda foi mais grave, se é que é possível. Repare que desde o início do processo, ou seja, desde a primeira convocatória por email para a primeira reunião, nunca ninguém do meu departamento ou de outro me deu qualquer satisfação sobre o que se estava a passar ou sobre possíveis desenvolvimentos. Nem tão pouco recebi qualquer tipo de apoio por parte das chefias.

P. Assim? Sem mais nem menos?
LC.
Depois, a partir do dia 4, passei a ser impedido de aceder ao meu local de trabalho, sem qualquer tipo de explicações.

P. Ficou sem computador. E depois?
LC.
Foi assim: na véspera, quando ia a sair, um segurança do edifício disse-me que no dia seguinte eu já não poderia entrar, adiantando- me que essas eram as instruções que tinha recebido do seu superior hierárquico. Todavia, no dia seguinte, como me competia e no cumprimento dos meus direitos, apresentei- me à porta, para trabalhar. O acesso foi-me negado, com o mesmo argumentário…

P. Voltou para trás? Foi-se embora?
LC.
Não. Claro que, confrontado com uma situação dessa natureza, o SBN viu-se obrigado a chamar a Polícia para tomar conta da ocorrência. E, a partir daí, tem sido um procedimento que se repete quotidianamente… No entanto, importa referir que, após intervenção do SBN e da Comissão Sindical de Empresa, foi-me fornecido um cartão de visita para poder ter acesso às instalações daquela estrutura e do posto médico, acesso esse que, até à data, também me estava vedado…

P. Por último: o que tem a dizer sobre a intervenção neste vosso processo, por parte do Sindicato dos Bancários do Norte?
LC.
O SBN tem sido incansável. Tem-me e tem-nos prestado e dedicado um apoio total e incondicional e permanente, pelo que me sinto e nos sentimos completamente confortados pelos colegas quer do Sindicato dos Bancários do Norte, quer desta Comissão Sindical de Empresa.

     
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