Por Carlos Cassagne
O Sr. Manuel Carvalho investido da sua responsabilidade pública, em editorial no Jornal de que é Diretor (O Público) escreveu no passado dia 25 de Agosto um texto que intitulou: “Os prémios da Caixa são um abuso”.
Ora, ao fazer esta afirmação, não sabe do que fala, mas escreve aquilo para que lhe pagam…
A Lei Orgânica da Caixa, bem como, os seus Estatutos são claros (entre outros itens) na aplicação dos resultados: “Atribuir uma percentagem dos lucros do exercício aos Trabalhadores e aos membros do Conselho de Administração”. Logo, não há prémios.
Não pode, pois, o autor ficar perplexo, nem considerar um abuso à atribuição duma percentagem como participação nos lucros do exercício aos Trabalhadores da Caixa, a Lei no-lo diz. Não se confunda, com a prática comum do sector privado de atribuição de prémios.
Assim:
- Quando num passado, recente os governos do País se socorreram da Caixa para injetarem milhões de euros em bancos, esses sim falidos por gestão danosa, não me recordo de, em editorial, o Sr. Manuel Carvalho tenha expressado a sua perplexidade e considerado que isso fosse um abuso aos contribuintes deste País.
- Também não me recordo, que tivesse escrito uma linha onde expressasse a sua preocupação em que o Estado devolvesse à Caixa esses milhões de euros, na defesa dos superiores interesses dos contribuintes, como agora o faz em sentido inverso.
- Continuo a não me recordar que tenha dado à estampa a sua perplexidade e, acrescento eu, a sua indignação quando: a Drª. Manuela Ferreira Leite e o Dr. Bagão Félix, em momentos distintos, subtraíram ao Fundo de Pensões dos Trabalhadores da Caixa, uns milhões de euros (dinheiro dos seus descontos) para que pudessem realizar uma operação de cosmética nas contas do Estado, quando foram responsáveis pelas Finanças do País.
Não, Sr. Manuel Carvalho, os Trabalhadores da Caixa não são os “funcionários mais favorecidos do país”, bem pelo contrário. Desça da sua “redoma”, dos interesses que defende e ouça no seu local de trabalho (as Agências e os Serviços Centrais) aqueles que apelida de “favorecidos” e depois, se os interesses que defende não se sobrepuserem à realidade dos factos, manifeste-se, mas, se as grilhetas lhe tolherem a pena, então meu caro remeta-se ao silêncio. Porque “os abusos que destroem as boas Instituições, têm o privilégio fatal de fazer subsistir as más”.
P.S.: Nos dias de hoje, os prémios fazem parte da denominada, gestão circense (ex.: a foca amestrada desempenha cabalmente o seu número, de forma dedicada, subserviente e temerosa, atinge o objetivo e o domador reconhecido, dá-lhe uma sardinha) em voga nas Business School que levam os incautos a convencerem-se, que o valor supremo é a meritocracia.
Por isso, nas áreas metropolitanas do Porto e de Lisboa os motéis têm vindo a proliferar...