Sílvio Martins
Salve bancários,
Marinheiros de nau de desventura
Singrando em mar de podre calmaria
Onde os banqueiros incham de fartura
E a barriga se vos some de vazia!
Olá, patrões do capital,
Perante quem se curvam os poderes;
Donos de todos os direitos,
Mas isentos do encargo dos deveres!
Olhai que sobre a mesa onde arrastais,
Sem sombra de pudor,
Toda a negociação,
Vossa proposta não é coisa que se ponha.
Se primais por não terdes coração,
Tende, ao menos, um pouco de vergonha!