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Uma votação que aponta para o futuro

“ se a administração do Montepio Crédito não atender as nossas exigências, o SBN abrirá a sua ação sindical de 2019 com manifestações frente às instalações ”

Em primeiro lugar, quero deixar o meu sincero agradecimento aos nossos associados, pela forma como decorreu a consulta do passado dia 27 de novembro sobre a fusão ou não do SBN num sindicato nacional, a criar com sede em Lisboa. Assim, a participação, que atingiu números superiores aos 50 por cento, foi bem clara quanto ao facto de aos bancários não terem restado dúvidas relativamente àquilo que é de facto a sua vontade para o futuro da nossa associação de classe.

O SBN não deu causa nem alimentou quezílias estéreis ou diferendos inúteis com o Sindicato dos Bancários do Sul e Ilhas.

O que nos move é o maior respeito pelos associados daquele sindicato e por todos os bancários e trabalhadores dos seguros abrangidos pelos sindicatos que compõem a Febase. E por isso, quero deixar ficar bem claro que, agora, o nosso tempo, o tempo do SBN é o de lutarmos por aquilo que esperam aqueles que nos elegeram. Vale isto por dizer que dou aqui por enterrada a polémica, com acusações, ofensas, desconsiderações e até insultos que têm sido dirigidas contra nós, o que, antes de mais, desqualifica quem os promove e alimenta.

Entretanto, a Febase concluiu o processo de negociação salarial para os trabalhadores abrangidos pelo acordo coletivo de trabalho do setor bancário e pelo acordo da Caixa Geral de Depósitos. É preciso dizer, sem margem para dúvidas, que o resultado ficou aquém daquilo que era expectável. Com efeito, os valores assinados ficaram longe do que a banca poderia e deveria suportar.

Neste aspeto, temos vindo a verificar que o setor desde há algum tempo a esta parte vem evoluindo num sentido positivo. O que se verifica, porém, é que, apesar de os banqueiros terem mudado, as práticas, os costumes e a arrogância se mantêm, na senda do que faziam os seus antecessores. Aliás, uma das razões e alguns dos argumentos que continuam a invocar é o provisionamento dos fundos de pensões, que têm de recorrer aos capitais próprios das instituições. Mas sabemos que há fundos de pensões do setor que foram alvo de benefícios fiscais de milhões de euros!... Para só citar dois exemplos, refiro que os casos do BPI e do BCP superaram, em conjunto, os oitenta milhões de euros.

Por outro lado, a Febase é uma organização cuja área geográfica de atuação abrange todo o território nacional. Tinha, por isso, obrigação de concluir uma negociação mais favorável do que aquela que acordou. Com efeito, possuía todas as condições para desenvolver formas de luta que fizessem com que os banqueiros despertassem para a realidade de um país que necessita urgentemente de devolver rendimentos justos e adequados àqueles que produzem e que contribuem de forma decisiva para o desenvolvimento da economia nacional.

Mas a Febase deveria também ter tido consciência de que os bancários começam a perceber que é altura de virem para a rua lutar pelos seus direitos e pelos seus salários, tal como fazem ou fizeram recentemente os trabalhadores dos setores da saúde, da justiça e do ensino, entre outros.

Entretanto, uma nota para recordar que falta ainda concluir alguns processos de negociação salarial, como sejam os do MilleniumBcp, das caixas agrícolas e do EuroBic, para só citar estes. Mas basta estarmos atentos ao que se passa no BCP para se confirmar, de forma inequívoca, que algo – para não dizer muita coisa – está profundamente errado no comportamento e na atitude das administrações: é que aquela instituição já deveria estar em fase de conclusão de um acordo de atualização da tabela salarial para os seus trabalhadores, embora o que se verifica é um total e comprometedor silêncio sobre esta matéria. Ora, esta situação em nada se compagina com aquilo que em tempo foi garantido pelo presidente do banco.

Em termos de atentados ao trabalho e à vida quotidiana dos bancários, acrescento aquilo que neste momento está a acontecer no Montepio Crédito, onde se encontram em curso procedimentos para despedimentos, impedindo de comparecerem nos seus balcões os bancários vítimas de tal ofensiva, violando desde logo o direito à ocupação efetiva.

O SBN opõe-se firmemente aos despedimentos em curso e, se a administração do Montepio Crédito não atender as nossas exigências, o SBN abrirá a sua ação sindical de 2019 com manifestações frente às instalações do Montepio Crédito, para denunciar estes comportamentos tão lesivos dos direitos dos trabalhadores e reclamar o respeito pelos direitos destes. A terminar, e porque estamos na época natalícia – tempo em que a família assume papel preponderante –, expresso os meus mais sentidos votos de boas festas para todos os nossos associados, para os respetivos agregados familiares e (porque não?) para todos os bancários portugueses.

Nos termos da lei e do estatuto editorial da revista Nortada, o editorial é da exclusiva responsabilidade de quem o subscreve, não responsabilizando, por isso, nenhum órgão do sindicato, no respeito pela independência da revista face ao poder constituído, a qualquer momento, no SBN.

     
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