Pela defesa do emprego! Pela solidariedade e pela unidade entre os trabalhadores! Contra a precariedade! Por uma administração pública eficiente e próxima dos cidadãos! Pelo crescimento económico! Em defesa do Estado Social!
Foram estas as palavras de ordem que marcaram as celebrações do 1º de Maio da UGT, este ano pela primeira vez realizadas no Porto. Apesar do mau tempo que se fez sentir, muitos foram os milhares de manifestantes que acorreram ao Pavilhão Rosa Mota para celebrarem, em festa, aquela jornada de luta. Luta que se fez sentir nas intervenções político-sindicais e festa que aconteceu não apenas proporcionada por um vasto e diversificado programa de animação, como por uma jornada de convívio em que nem sequer faltou comida e bebida em abundância para todos.
Concurso de desenho de alunos de escolas
Numa iniciativa inédita, as comemorações do 1º de Maio deste ano registaram também a exposição de desenhos de um concurso subordinado ao tema “Era uma vez o 1º de Maio”, efetuados por alunos de diversas escolas. Os alunos premiados e os respetivos docentes foram chamados ao palco para receberem os prémios que lhes foram atribuídos, em função dos escalões etários dos concorrentes. O evento, que precedeu as intervenções político-sindicais, foi merecidamente sublinhado pelos aplausos de todos os presentes no Pavilhão Rosa Mota.
Animação
Quim Barreiros foi o “rei”
Quim Barreiros era o cabeça de cartaz do programa de animação para o 1º de Maio no Pavilhão Rosa Mota.E fez jus à fama que o carateriza. Com os trabalhadores ainda ao rubro após a intervenção político-sindical do secretário-geral da UGT, Carlos Silva, o popular animador conseguiu pôr toda a gente a dançar e a cantar. Trabalhadores de todas as idades e de todos os setores – muitos deles acompanhados por cônjuges e filhos – fizeram a festa, que se teria prolongado não fossem as obrigações contratuais. Mas justo é reconhecer a qualidade da animação que outros grupos tinham emprestado anteriormente à festa, tais sejam a Academia de Danças e Cantares da Foz do Douro, os “Agostinhos da Roseta” – alunos da Escola Profissional Agostinho Roseta –, os Caretos de Bragança, bombos e gigantones e a Filarmónica do Crato. Nota também para o teatro de robertos, no stand do Sindep.
“Juntos com a UGT conseguiremos uma vida melhor”
Diz Lucinda Dâmaso
A primeira intervenção da tarde coube à presidente da central sindical, Lucinda Dâmaso, que terminou o seu breve discurso exortando à unidade: “Juntos com a UGT conseguiremos uma vida melhor para os trabalhadores portugueses.”
Aquela sindicalista começou, todavia, por dizer que “celebramos em festa, porque de uma festa se trata”, referindo-se à comemoração do aniversário da primeira grande vitória dos trabalhadores em todo o mundo.
Dirigiu, depois, as suas palavras para os desempregados e para aqueles que continuam a laborar sob a ameaça de um emprego precário, prometendo que a UGT tudo fará para reduzir ao máximo aquela chaga social, lutando com todas as armas de que dispuser. Falou a seguir para os pensionistas e reformados “que tinham a expetativa de poderem vir a desfrutar de um final de vida digna mas que estão a ver frustrada essa possibilidade”, oferecendo-lhes não apenas a solidariedade da central sindical, mas também todos os esforços da UGT na luta pela recuperação da respetiva qualidade de vida.
Por fim, referiu que a UGT, “sempre privilegiando a concertação, continuará a lutar por ela em defesa do Estado Social, designadamente com uma saúde e uma educação que proporcionem melhores condições de vida para todos os portugueses, nomeadamente para os trabalhadores.”
UGT proporá em setembro nova atualização do salário mínimo nacional com efeitos a partir de janeiro de 2016
Prometeu Carlos Silva no 1º de Maio
“Em setembro deste ano voltaremos a propor a atualização do salário mínimo nacional, com efeitos a janeiro de 2016” – anunciou o secretário-geral da UGT, Carlos Silva, na intervenção com que pontuou as comemorações do 1º de Maio da central sindical, este ano pela primeira vez realizadas no Porto.
A justificar aquela decisão, Carlos Silva enfatizou que não podem ser só os trabalhadores a pagar a crise, porque não foram eles quem a despoletou: “Foi a ganância de alguns, que abalou as sociedades democráticas e destruiu as expetativas de milhões. Foi o capitalismo selvagem e as offshores que teimosamente resistem e sobrevivem, sem que o poder político tenha a coragem de afrontar os seus lucrativos atores. Foi a ambição desmedida e a aposta na maximização do lucro que destruiu o BPN e o BES, sem acautelar que nessas instituições existiam milhares de trabalhadores que dedicavam a sua existência a servir os seus empregadores e acionistas, muito para além do que está consagrado nos vários instrumentos de contratação coletiva, esmagando horários, abdicando da família, sofrendo vicissitudes e ofensas diárias, porque eram esses trabalhadores que davam a cara, todos os dias, perante os clientes, enganados e desiludidos pelo enorme embuste que se criou com a venda de produtos que, só por ostentatrem as insígnias de determinadas instituições, eram sinal bastante de garantia e confiança. A mesma desilusão e desconfiança que os portugueses hoje depositam nas instituições democráticas e no poder político, que se deixou manietar e instrumentalizar pelo poder económico e financeiro, que o povo não elegeu, não conhece, não contacta e em quem não confia.”
É preciso acreditar
Em contraposição a este estado de coisas, o líder da UGT sublinhou que “é preciso acreditar que isto vai mudar e que Portugal tem futuro:
“Que os nossos jovens que emigraram vão regressar ao nosso país e ao convívio com os seus, de onde nunca deveriam ter saído, a não ser por uma vontade estritamente pessoal e nunca a convite ou sugestão do poder político, ou por sentirem que o seu país não lhes proporciona oportunidade de futuro estável. “Que as famílias e o país que neles tanto investiram vão ver o seu investimento florescer, junto de si e no seu país.
“É preciso acreditar que os que trabalharam uma vida inteira terão a merecida dignidade e serenidade nos tempos que lhes restam de vida. Sem os sobressaltos dos cortes nas pensões de reforma, que são tão essenciais à sua subsistência, como ao apoio aos seus filhos e netos desempregados.
“Sim, é preciso acreditar que haverá uma oportunidade de ingresso no mercado de trabalho para as centenas de milhar de desempregados que estão inscritos nos centros de emprego, muitos deles há mais de um ou dois anos. Não esqueçamos que há milhares que desistiram de procurar emprego, ou que deixaram simplesmente de estar inscritos.”
Não à precariedade laboral
Carlos Silva acentuou depois que a UGT não quer precariedade laboral e que rejeita quaisquer alterações à legislação que abram a porta a uma maior fexibilixação dos despedimentos: “Depois de quatro anos de grandes e incontáveis sacrifícios, o que os trabalhadores precisam é de uma negociação coletiva dinâmica, que lhes dê garantias de estabilidade de direitos, porque deveres já os têm, muito para além do que a decência das relações de trabalho impõe.”
Diminuição da carga fiscal
Outro grande tema abordado pelo secretário-geral da central sindical pode ser traduzido na frase com que o introduziu: “É preciso acreditar que a carga fiscal vai diminuir.”
A seguir, concretizou: “Depois de um colossal aumento de impostos, os portugueses merecem ver atenuados os seus sacrifícios. E se a tal mitigação não vai corresponder uma colossal redução de impostos, pelo menos importa reivindicar a reintrodução dos dois escalões do IRS e a eliminação da sobretaxa, imposto injusto e cego, que permitam à classe média sobreviver e respirar com algum alívio.”
Por outro lado, a UGT não desiste de reivindicar a reposição do IVA da restauração e das bebidas para os 13%: “Não é uma birra, nem uma teimosia. Teimosia é daqueles que continuam a fazer o seu caminho, quase de forma impávida e serena, ignorando a destruição de empregos que tal alteração produziu neste setor, para além das falências que provocou em milhares de micro e pequenas empresas. Se o setor do turismo teve o seu melhor ano de sempre em 2014 e se se prepara para repetir a dose em 2015, importa dar às empresas e aos empresários deste setor nevrálgico da economia nacional o necessário empurrão para alavancar e consolidar os seus resultados. Em nome do crescimento e do emprego.”
Por último, a eliminação da Contribuição Extraordinária de Solidariedade, a revisão em baixa do IMI e o fim das privatizações a todo o custo, contra a vontade de trabalhadores e de autarquias, foram reivindicações que a UGT reafirmou no 1º de Maio de 2015.
Inquérito-relâmpago
O som dos grupos que, no palco do Pavilhão Rosa Mota, proporcionavam a programada animação, era ensurdecedor. O interior do recinto fervilhava de manifestantes. Quando nos viam de caneta e papel, prontos a registar episódios, a curiosidade fazia-os aproximarem-se de nós. Era a oportunidade para lançarmos um pequeno inquérito-relâmpago. Ao acaso. Junto de pavilhões de diversos sindicatos. As perguntas foram iguais para todos. Quisemos saber as razões da participação, se era a primeira vez que o faziam e se consideravam que este ano o Dia do Trabalhador envolvia algum significado especial. O registo aqui fica.
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José Mateus, SPZN
Participo sempre, porque é um marco histórico na luta dos trabalhadores pelos seus direitos laborais. E este ano tem um significado acrescido, devido às dificuldades que o país atravessa por causa das políticas de austeridade. Esta manifestação destina-se a mostrar ao Poder que é necessário modificar a situação, dar mais equilíbrio às relações laborais e maior dignididade às classes mais desfavorecidas de Portugal.
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Maria Penas Luís, SBC
Participo sempre. Como é o Dia do Trabalhador, é o meu dia. Aproveito agora, porque antes do 25 de Abril não o podia fazer. A seguir ao dia 25 de Abril, o primeiro 1º de Maio foi o dia de que mais gostei até hoje. Foi brutal! Mas é sempre com a mesma alegria que participo. Aqui sentimo-nos todos uns iguais aos outros. Não há elitismos. E com a austeridade que se faz sentir, sim, este ano o 1º de Maio é um dia diferente, para que os trabahadores possam demonstrar quanto se sentem descontentes e quanto estão a sofrer.
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Jorge Dias, SBSI
Estou aqui porque, como já pertenci às estruturas do sindicato, sempre que possível vou acompanhando estas manifestações dos trabalhadores, fundamentais para o desenvolvimento do sindicalismo. É necessário retomar-se o equilíbrio destas três premissas: trabalho, descanso e lazer, matérias que estão a ser descuradas numa sociedade que tem como símbolo o trabalho.
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Cláudia Silva, SBN
Estou aqui porque esta é a festa dos trabalhadores e porque o dia tem de ser marcado por uma grande adesão, como a que verificamos. Não podemos ficar em casa. É esta a primeira vez que participo, porque considero que este ano tem um significado muito especial. De facto, o setor em que eu e os meus colegas trabalhamos nunca esteve tão em risco como agora e o nosso trabalho nunca foi tão desrespeitado. Por outro lado, temos de nos mostrar solidários para com todos os trabalhadores de todos os outros setores de atividade económica.
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Jorge Manuel Fernandes Lopes, Sindel
É a primeira vez que participo e estou a gostar, quer pelo significado do dia, quer pelo convívio entre todos os milhares que aqui estamos. Considero que o 1º de Maio de hoje tem um significado diferente, porque constitui uma forma de luta pela defesa dos nossos direitos, que cada vez são menos. O número de trabalhadores que aqui está prova bem a vontade que temos de manifestar isso mesmo.
Agradecimento
Entretanto, recebemos do secretário-geral um email de agradecimento, pela forma como decorreu o 1º de Maio, pela primeira vez organizado no Porto, que passamos a transcrever:
“Caros amigos, camaradas e companheiros,
Não quero, nem devo, deixar passar a oportunidade de manifestar, em meu nome e do Executivo da UGT, o meu regozijo e agradecimento público, nas pessoas dos respetivos Presidentes e/ou Secretários Gerais, a todas as organizações sindicais filiadas que se empenharam na organização do 1º de Maio da UGT, cuja mobilização foi fundamental para mostrar a Portugal inteiro e aos portugueses espalhados pelo mundo, que o Dia do Trabalhador foi um evento de inegável sucesso com cariz politico-sindical e, acima de tudo, uma festa, onde a UGT mais uma vez demonstrou que, não só é uma força aglutinadora da classe trabalhadora em particular e da população em geral, mas também um marco decisivo na vida democrática portuguesa.
Reitero o meu público agradecimento a todos e um enorme bem haja.
Até ao próximo dia 1 de Maio/2016.
Saudações Sindicais Carlos Silva”