“Não há pior analfabeto que o analfabeto político. Ele não ouve, não fala, nem participa dos acontecimentos políticos. O analfabeto político é tão burro que se orgulha de o ser e, de peito feito, diz que detesta a política. Não sabe, o imbecil, que da sua ignorância política é que nasce a prostituta, a criança abandonada e o pior de todos os bandidos, que é o político vigarista, desonesto, o corrupto e lacaio dos exploradores do povo.”
(Bertolt Brecht, 1898-1956)
“A Zona Euro transformou-se numa prisão de alta segurança, na qual o mero protesto implica derreter o corpo contra a rede de alta tensão montada por regras suicidárias que desarmaram os Estados perante a voracidade dos mercados.”
(Viriato Soromenho Marques)
“Foi a ideia de bem estar dos povos, de mais igualdade, justiça e liberdade, que alimentou a integração europeia. Um período de prosperidade e de paz que a crise do euro parece ter interrompido.”
(Luís Amado)
“O brutal aumento de impostos que tivemos, apesar dos benefícios que registou no défice público, não ajudou a melhorar o Estado. Bem pelo contrário.”
(Marques Mendes)
“Temos cofres cheios. Nós podemos estar tranquilamente durante um período prolongado sem precisar de ir ao mercado, satisfazendo todos os nossos compromissos.”
(Maria Luís Albuquerque, ministra das Finanças)
“Há famílias a quem até a secretária dos filhos é penhorada e outras que perdem a casa por uma dívida de 1800 euros de IMI. Em apenas cinco anos, o número de pessoas e empresas falidas cresceu mais de 200 por cento em Portugal. Mas enquanto a uns é retirado até o aquário dos peixes, outros fazem bons negócios. Administradores de insolvência e leiloeiras nunca ganharam tanto dinheiro como agora.”
(Isabel Nery)
“Perderam-se direitos e entrou-se no jogo da sobrevivência.”
(Ana Loya)
“Quando te deres conta de que para produzir necessitas obter a autorização de quem nada produz…
Quando te deres conta de que o dinheiro flui para o bolso daqueles que traficam não com bens, mas com favores…
Quando te deres conta de que muitos na tua sociedade enriquecem graças ao suborno e influências, e não ao seu trabalho, e que as leis do teu país não te protegem a ti, mas protegem-nos a eles contra ti…
Quando enfim descubras ainda que a corrupção é recompensada e a honradez se converte num auto sacrifício…
Poderás afirmar, taxativamente, sem temor a equivocar-te, que a tua sociedade está condenada.“
Ayn Rand (1950)
“Há um país europeu, com empresas de classe mundial, com gestores, investigadores, médicos, professores, operários, arquitetos ou engenheiros ao nível da melhor Europa. Mas também há gestores, operários ou enfermeiros que ficariam melhor colocados nas paisagens do terceiro mundo. É isso que torna Portugal o país mais desigual da Europa, que coloca um quarto dos trabalhadores a receber salários que os aprisionam no limiar da pobreza, que cria 460 mil desempregados de longa duração condenados a viver no ostracismo social ao descobrirem que o país onde conseguiram fazer uma vida digna sucumbiu às ondas de choque e já não volta mais. É por isso que 31,6% das crianças e jovens vivem em risco de pobreza, que há 400 mil idosos a viver sozinhos, que todos os anos emigram mais de 100 mil pessoas, que mais de metade dos jovens está disposta a deixar este país de “prosperidade” e arriscar uma vida nova no estrangeiro. Nesta comparação, Portugal é mais o Brasil do que a Noruega, como certamente sabe o primeiro-ministro. A maior desgraça destes anos de chumbo é a travagem na fusão do país dual que resiste há mais de 50 anos.”
Manuel Carvalho