Ninguém está só
É difícil estar-se só
Mesmo que muito se queira
Por exemplo ao nascer
Nasce-se da mesma maneira.
E mesmo quando se morre
O ato em si é igual
Por muito que se altere
Não é em si desigual;
Como também no infortúnio
Todos sofrem ‘igual’ dor
Caminhando na desgraça
Cheios de igual pavor.
São batalhões de soldados
Voluntários sem querer
Sós estão na desventura
E nos degraus do sofrer.
Já nos prazeres da vida
Os batalhões são menores
São os menores na tristeza
E nos prazeres os maiores.
Todavia neste campo
A solidão não está só
Só solidão eu vislumbro
Faz-me pena e também dó.
José Amaral