Gosto do mar imenso que se espraia
E, cansado de azul e vastidão,
Se desfaz em espuma numa praia,
E morre, ali, de lassidão,
Tocando mansamente nos meus pés.
Dentro de mim também há mar!
Sinto-lhe as ondas, os ventos e as marés,
Nas veias em profundo marulhar;
As longas tempestades e as bonanças,
As nuvens carregadas de presságios,
Os horizontes azulados de esperanças,
Os abismos saciados de naufrágios.
Quando navego para além da dor
E as águas dão, em mim, sinal,
Nos olhos extravasa o mar interior,
E a boca fica-me a saber a sal.
Sílvio Martins