O futuro do banco – entre a desistência da OPA e a possibilidade de fusão – preocupa os trabalhadores. O desfecho da negociação do ACT também provoca ansiedade Joaquim Lima (tempo inteiro), José Duarte e Miranda Cardoso (tempo parcial) foram os elementos da Comissão Sindical de Empresa do BPI que connosco conversaram, dando-nos conta do ambiente de apreensão geral que se vive naquela instituição de crédito.
P. Dos contactos que vêm mantendo com os vossos colegas, qual o ambiente que se pode inferir da vivência na instituição que representam?
R. Sem a mais pequena sombra de dúvida que é um ambiente de apreensão generalizada, seja pela OPA que não chegou a ser, seja pela ameaça de fusão que não se percebe como possa vir a ser feita. A tudo isto, acresce que se vive uma sensação de grande preocupação pelo desfecho que possa vir a verificar-se no que diz respeito à negociação do ACT. Já no que diz respeito à problemática da fusão, também é verdade que os receios se concentram muito em quem liderará o processo, depois de ele ser consumado, se é que poderá verificar-se tão dramática perspetiva.
P. Posso inferir que existe um clima de medo?
R. A expressão mais adequada talvez seja a de muita insegurança. Principalmente por parte dos que estão no banco há menos tempo, porque se nota que quanto aos mais antigos, esses sentem que, em situações limite, têm mais possibilidades de negociar uma saída menos gravosa. Para dizer de outra forma: quem talvez se sinta menos pressionado são aqueles que têm mais de 25 ou 30 anos de casa, até porque todos os anos tem havido negociações conducentes a pré-reformas.
P. Já ouvimos falar num tal projeto Vitória…
R. Pois é. E nos balcões está instalada uma grande preocupação no que diz respeito a esse mesmo projeto Vitória, que tem uma coreografia muito própria e complexa, dividida em funções, com o objetivo de maximizar o aproveitamento do tempo de trabalho e o da venda de produtos. Isso leva a que as pessoas fiquem de tal modo absorvidas com a competição interna e interbalcões, devido a fatores como sejam a venda de novos produtos, que lhes provoca uma pressão sobre-humana, devido a objetivos excessivamente exigentes, aparentemente suavizados sob o eterno jargão de qualidade de serviço, o que conta para a avaliação anual. Ou seja, trata-se de uma plataforma de desempenho que se repercute na avaliação. Por outras palavras, é também mais uma forma encapotada de avaliar os trabalhadores, que por vezes se sentem frustrados e injustiçados a nível dessa mesma avaliação.
SAMS SEMPRE PRESENTE
P. Qual é o modo de funcionamento da vossa Comissão Sindical?
R. O nosso trabalho é sempre articulado com a Direção do SBN, não só em relação às visitas, orientadas e acompanhadas por um ou mais membros da Direção, com exceção dos balcões do Grande Porto, que, habitualmente, são visitados por nós. Para além disso, implementámos uma plataforma interna que permite a divulgação de toda a informação da área sindical pelo conjunto dos nossos associados, porque no BPI há muitos trabalhadores que não têm acesso a e-mail externo. É certo que este sistema implica a duplicação da informação para alguns, mas sempre é bem melhor do que haver muitos que não tenham informação nenhuma.
P. Relativamente ao SAMS, qual é a sensibilidade que registam por parte dos colegas, aquando das visitas aos balcões?
R. É curioso que, regra geral, logo que entramos num balcão o primeiro tema com que somos confrontados é precisamente esse – o SAMS, designadamente em termos de comparticipações e de acordos celebrados com entidades de saúde locais. E é consabido que as pessoas do Grande Porto estão mais bem servidas do que aquelas que trabalham em localidades periféricas. Por outro lado, é incrível como os bancários continuam a confundir tanto o sindicato com o SAMS.
P. E como é que vocês atuam, nessas circunstâncias?
R. Primeiro, tentamos perceber até que ponto vai a desinformação – que, frequentemente, é bastante. Depois, desenvolvemos um aturado trabalho de esclarecimento. Porque o nosso SAMS não é um mero seguro de saúde.
P. Essa mensagem passa com facilidade?
R. Sabe, o problema é que há pessoas que têm um raciocínio e um modo de estar na vida bastante primário. Deixam-se levar por um imediatismo inacreditável, que procuramos desmontar, tentando que elas entendam as vantagens do nosso SAMS nas situações mais difíceis e mais problemáticas, com uma fortíssima componente solidária.