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CGD - Norte

“A Caixa Geral de Depósitos é sempre muito condicionada pela tutela”

“A Caixa Geral de Depósitos tem uma situação especial face às outras instituições de crédito, uma vez que é sempre muito condicionada pela tutela” – disseram, em entrevista à nossa revista, Carlos Cassagne, Álvaro do Bem (coordenador) e Mariza Brandão, da Comissão Sindical de Delegação (norte) da CGD.


P. Mas, no fundo, não é um banco como os outros?
R. Sim, pretensamente é igual. Só que, na prá- tica, é gerido conforme a vontade da tutela. Por exemplo, o que tem alarmado o público no que diz respeito à Caixa é a questão do défice que apresenta. Mas este é devido às opções feitas pela gestão, resultantes do que atrás referimos. Porque o resultado, esse é positivo.

P. Então o que é que o torna negativo?
R. As opções políticas, evidentemente. Por exemplo, quando o Estado vai lá buscar dinheiro para acudir a buracos no setor financeiro. Repare: quando se diz que os contribuintes pagam as opções de gestão nos outros bancos, isso é feito através da Caixa! Ora, esta gestão transmite-se à rede comercial, que são uns verdadeiros garimpeiros do trabalho.

P. E de que forma isso é feito?
R. Damos apenas dois exemplos: com o encerramento de balcões e com transferências efetuadas de forma pouco ponderada, o que faz com que os bancários afetados acabem por não disporem da tranquilidade necessária para aplicarem os conhecimentos que detêm. É óbvio que este clima de instabilidade se reflete na qualidade do atendimento que é dispensado aos clientes.

P. Também na CGD existem reformas antecipadas, como noutras instituições?
R. Não é bem isso. O que acontece, mais concretamente, são situações de pré-reforma, cujas inscrições se encerraram em 31 de dezembro passado. É o chamado “Plano Horizonte”.

P. Teve uma adesão significativa?
R. Nem por isso. Aderiram quatro centenas de pessoas, sendo que a administração tinha calculado cerca de 1 200, o que quer dizer que a adesão não foi assim tão entusiasmante. É que somos subscritores de um acordo de empresa e os valores apresentados eram inferiores aos que ali estavam estabelecidos. Por outro lado, um dos problemas do “Plano Horizonte” é o de que os colegas são contactados por telefone para no dia seguinte já ficarem em casa.

P. De facto, dito assim, não parece uma situação lá muito razoável.
R. E por não ser nada razoável é que nós alertamos os colegas para não aceitarem essa situação sem primeiro consultarem o respetivo contrato, até também porque nenhum trabalhador deve abandonar o local de trabalho sem motivo justificado. A forma como isto está a ser conduzido não é mesmo nada correta. Em termos éticos, morais e humanos, toda uma vida de trabalho com extrema dedicação à casa merecia mais, muito mais. Pelo menos, que o respetivo diretor se dirigisse ao balcão para comunicar a situação pessoalmente ao trabalhador.

P. Mas também falaram de encerramento de balcões…
R. Pois falamos, porque isso não está a ser conduzido de forma organizada, mas por alguém que parece não ter conhecimento do terreno, pelo que apenas utiliza um critério de régua e esquadro – isto para sermos lisonjeiros…

P. E quanto à situação remuneratória existente na CGD?
R. Isso tem muito que se lhe diga! Vejamos. A Caixa foi a única instituição bancária que teve cortes salariais como na função pública. Abaixo da administração, todos os trabalhadores são abrangidos pelas contas que estão ao abrigo do Orçamento de Estado. Porém, a administração vive uma situação de exceção, devido a uma normativa legislativa. Então eles são exceção e nós não? Desde 2011 que as nossas carreiras estão congeladas, o que, naturalmente, se tem vindo a traduzir numa perda do salário real. E de tal forma essa perda se tem feito sentir que a própria Caixa passou a disponibilizar medidas sociais para minimizar os efeitos negativos provenientes dos cortes.

P. Um outro aspeto que gostaríamos de ver abordado é o das carreiras profissionais…
R. Bem, quanto a isso seremos mais sucintos, até porque entendemos que as carreiras profissionais – vulgo promoções por antiguidade – já estão descongeladas, se o Orçamento de Estado nada disser sobre o assunto…

P. Quais os comentários que entendem por bem fazer no que diz respeito à cobertura no setor da saúde?
R. A Caixa Geral de Depósitos tem serviços sociais próprios, que fazem parte da lei orgânica da instituição. E ao contrário do que por aí se diz, os trabalhadores da CGD defendem-no, para que os outros possam ter uma boa Segurança Social. Aliás, somos apologistas de solu- ções semelhantes para as grandes empresas, a fim de proteger a Segurança Social.

P. Mas também existem os SAMS…
R. Claro! Na Caixa coexistem os dois subsistemas: os nossos serviços sociais e os SAMS, estes devido à fusão do ex-BNU. Nessa altura houve um período transitório, durante o qual todos nós pudemos optar por um pelo outro subsistema. A decisão que tomássemos naquela altura seria irrevogável.

P. E qual a forma de funcionamento dos vossos serviços sociais?
R. Têm uma direção, eleita pelos trabalhadores. Estamos satisfeitos. Além da comparticipação dos trabalhadores, os serviços funcionam também com uma comparticipação da própria instituição. E os beneficiários dos servi- ços sociais da CGD que, cumulativamente, sejam associados do SBN, podem, em conjunto com os respetivos elementos dos agregados familiares, usufruir das tabelas contratualizadas pelo SAMS Norte para consultas, meios complementares de diagnóstico e terapêutica e intervenções cirúrgicas em entidades de referência na área geográfica de influência do nosso sindicato.

     
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