O auditório polivalente “Conde de Vizela” foi inaugurado no passado dia 27 de fevereiro, com a estreia do espetáculo de teatro infantil “No Bosque das Flores Plantamos Valores”. O texto e música de David Alves e a encenação de Francisco Santos proporcionaram uma peça magnífica, recheada de pormenores com preciosos requintes estéticos, transmitindo diversas mensagens com elevado significado, nobres valores e eloquentes princípios, alguns deles que já parecem perdidos na voragem destes tempos marcados por um individualismo exacerbado e por um mercantilismo desprovido de preocupações relativas à sociedade e ao ambiente.
No ato inaugural, o presidente da Direção do SBN, Mário Mourão, que na circunstância se encontrava acompanhado pela coordenadora do pelouro Recreativo, da Cultura e de Eventos, Ana Ribeiro, descerrou uma placa alusiva, tendo referido que o auditório – com uma capacidade para quarenta pessoas – se destinará também para a realização dos mais variados eventos, uma vez que se encontra apetrechado com as mais modernas tecnologias audiovisuais.
Sublinhe-se que no dia da apresentação da peça o auditório esteve completamente lotado, quer na sessão da manhã, quer na da tarde. Quanto à primeira, estiveram presentes os membros da Direção e convidados, enquanto a tarde foi reservada para os pais e familiares dos atores.
Entretanto, o SBN tem à disposição dos associados convites para a peça, que é apresentada todos os sábados às 11 horas, com exceção de feriados. Os interessados deverão requisitar os ingressos na Loja de Atendimento do sindicato, onde serão prestadas todas as informações complementares.
Acrescente-se que a peça se tem saldado por um êxito de tal forma assinalável que dentro em breve será lançada em livro. Curiosamente, não obstante a atual denominação do Grupo de Teatro Infantil (GTI SBN) ter sido adotada em 2012, aquando da abertura, por parte da Direção do sindicato, ao ensino e à prática daquela arte, o agrupamento vem já de um currículo considerável, sob outra denominação – o “Bankuiteatro”.
Vale, pois, aqui a pena recordar o percurso até agora efetuado, com as peças levas à cena. Em 1986, “Pequeno Retábulo de Dom Cristóvão”, de Frederico Garcia Lorca; 1987, “O Farruncha”, de Jaime Gralheiro, e “O Assassino de Macário”, de Camilo Castelo Branco; 1988/9, “A História do Soldado”, de Ramuz e Stravinski; 1990, “Amparo de Mãe”, de Jorge de Sena, e “A Sombra da Ravina”, de John Synge; 2002, “O Papão e o Sonho”, de Jorge Letria; 2004, “O Julgamento da Poluição”, de Fernando Peixoto; 2006, “A Lenda de Salomão”, de Fernando Peixoto, baseado em texto de Alfonso Sastre; 2009, “O Leão e o Grilo”, de Fernando Peixoto; 2011/2, “A Princesa dos Pés Pretos”, de José Vaz.
A propósito da atual peça e do que rodeia o grupo, ouvimos o encenador Francisco Santos.
N. Porquê o título desta peça?
FS. Bem, a peça “No Bosque das Flores Plantamos Valores” tem no seu título a imagem do seu conteúdo. Os leitores podem imaginar quase tudo… Está-se mesmo a perceber… Mas o melhor é irem ver, senão nem sabem o que perdem… É o que falta, é o que se exige a quem, em consciência, aspira por uma sociedade melhor, apenas possível com pessoas melhores.
N. O resultado está a satisfazê-lo integralmente, ou ainda faltaria algo mais?
FS. Não podia estar mais satisfeito. Sabe, é que uma partilha de mais de 35 anos, nas lutas pelo teatro, com o David, que fez o texto e as músicas, deu-me logo à partida a convicção de que seria uma aposta votada ao êxito, a de desafiar para a escrita da sua primeira peça de teatro, baseada nos valores que nos têm norteado e que são a matriz desta escola. Congratulo-me, pois, não só pelo resultado obtido, mas também pelo marco erigido na história do SBN e desta Direção, pois é neste mandato que, pela primeira vez, se escreve uma peça para o Sindicato dos Bancários do Norte. Como se não bastasse, escrita por um associado.
N. E quanto ao auditório?
FS. Fundamental! Importantíssimo! Por isso me congratulo ainda por, pela primeira vez na história do SBN, se ter construído um auditório de raiz, para que esta escola de teatro possa, dignamente, transmitir os mais altos valores aos seus atores, que não são uns jovens quaisquer. A manifestação de agrado dos pais e a constatação da evolução pessoal e social dos filhos são o eco desejado ao grito da nossa luta.