É tempo de fazermos um balanço a meio do ano, antes de iniciarmos as férias anuais, sobre o caminho percorrido até agora. O ano de 2016 continua a ser dificílimo para o setor financeiro e, consequentemente, para todos aqueles que nele trabalham e que dão o seu melhor para ajudar à sua recuperação e para restabelecer a confiança há muito perdida.
Pena é que, passados estes anos após o início da descoberta das inúmeras fraudes a que o setor financeiro esteve sujeito, apenas ainda um tenha começado a pagar pelas suas responsabilidades.
Todos sabemos que ninguém pode pagar pelas consequências graves que provocaram em milhares de trabalhadores bancários – e seus familiares –, que foram forçados a abandonar o setor, quer através das rescisões, quer através dos despedimentos. Finalmente, chegou o acordo subscrito pela Febase, acabando com o impasse que se verificava nas negociações há mais de quatro anos e que impossibilitava que houvesse atualizações salariais, negociações essas ameaçadas pelo espetro da caducidade do nosso ACT que há tanto tempo impendia sobre o futuro de toda a classe.
Todos sabemos que a relação de trabalho nos últimos anos se tem pautado por fragilizar os trabalhadores e introduzir na legislação mecanismos para desregulamentar o direito de trabalho. Claro que o setor bancário não ficou isento dessas investidas. Desde 2012 todas as alterações às leis laborais têm sido num só sentido – o de desfavorecimento da parte trabalhadora.
Pena é que as afirmações proferidas pelo presidente da CEP, António Saraiva, à saída da audiência com o Presidente da República, no passado dia 26 de julho, não tenham sido feitas em 2012, quando começou a senha desreguladora e persecutória em relação aos trabalhadores! Sintomático!...
Só quem se lembra do que foi a proposta das instituições de crédito há quatro anos, em que reduzia o ACT a pedaços, e aquilo que foi possível chegar agora, com a ajuda e a firmeza dos trabalhadores, pode dizer que os nossos detratores não atingiram os seus objetivos, o que se traduz, entre a manuten- ção e a melhoria de algumas cláusulas, por um aumento salarial de 0,75 por cento, com retroatividade a janeiro de 2016, e no mesmo valor, a partir do mês homólogo do próximo ano. Todos queríamos que os resultados alcançados fossem ainda melhores. Mas estes foram os melhores que seria possível conseguir, num contexto de enorme adversidade para os bancá- rios, em que a realidade, durante este quadriénio negocial, se evidenciou em permanente mutação, muitas vezes com reviravoltas inesperadas e sempre em desfavor dos trabalhadores. Agora, manter-nos-emos atentos ao evoluir da situação, com a consciência de que o setor se mantém efervescente e a navegar ainda em mares pouco tranquilos, com alguns dossiês a carecer de clarificação, de entre os quais avulta o do Novo Banco.
Tem vindo o Sindicato dos Bancários do Norte (SBN) a ser – em parceria com o SBC e com o SBSI – alicerce e pilar fundamental da luta pela garantia da defesa dos direitos e dos interesses dos trabalhadores bancários, em todos os momentos de sucessivas dificuldades por que o setor vem atravessando, designadamente desde que a crise financeira eclodiu também no nosso país.
Mas é natural que este posicionamento do SBN, de firme intransigência na defesa dos princípios e dos valores que norteiam a defesa dos bancários, possa não ser bem vista por um ou outro dirigente, cujas menoridade intelectual e mesquinhez sindical não lhes permita ver para além dos limitados interesses de que se rodeiam. Olham para o SBN como Merkel ou Schäuble para Portugal. Julgam-se grandes, sem perceberem da pequenez da sua verdadeira dimensão. Para eles, dou a voz à proverbial sabedoria do adágio do nosso povo, que tão ponderadamente comenta: “vozes de burro não chegam ao céu”…
*
E, claro, o SBN não pára. Bem ao contrário, continua a dar mostras de grande vitalidade, como é o facto de ter agendado já para o próximo mês de setembro a inauguração da Pinheiro Manso – Residência Sénior, projeto que será verdadeiramente icónico para toda a cidade do Porto (e não só…).
Trata-se de um conjunto de infraestruturas adaptadas às especificidades de quem chegou a um momento da vida em que necessita de atenção e de apoio redobrado. Ali teremos uma equipa multidisciplinar, composta por profissionais conhecedores das problemáticas dos seniores e de pessoas oriundas das mais variadas áreas.
Na Pinheiro Manso – Residência Sénior não monitorizamos pessoas: acompanhamo-las e damos-lhes toda a assistência necessária. Desta forma, os nossos residentes terão toda a liberdade para participar nas atividades que pretendam.
*
Tudo isto é fazer sindicalismo. Porque sindicalismo, para mim e para o SBN, é exercer o conceito de Solidariedade em todas as vertentes humanas e sociais. Nos locais de trabalho como nas lutas pela manutenção do emprego. À mesa das negociações coletivas, como proporcionando condições de defesa dos associados através do nosso Serviço de Contencioso. Contribuindo para melhorar a ocupação de tempos livres ou ajudando na compra de livros escolares. E também – como é o caso da Pinheiro Manso – Residência Sénior –, percebendo que viver em comunidade e em partilha é uma das formas de reduzir a solidão. Para os nossos associados e para o conjunto da sociedade.
Mário Mourão