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Finalmente a “Casa Sindical”

No passado dia 10, foi, finalmente, inaugurada a sede da UGT – a casa do sindicalismo democrático – que mereceu a presença do Presidente da República, para além de, entre outras individualidades do espectro político nacional, o ministro do Trabalho e o presidente da Câmara Municipal de Lisboa, que se manifestaram solidários com a central, que reconheceram ser uma organização exemplar na defesa intransigente dos trabalhadores portugueses, com respeito pelos princípios que devem prevalecer numa democracia, baseados não só na luta da rua – em que a UGT participou sempre que todos os outros métodos falharam, independentemente da cor dos governos –, mas privilegiando a negociação, o compromisso e a concertação.

Após a apresentação de um pequeno filme, historiando os 38 anos da central, o secretário-geral, Carlos Silva, agradeceu a todos a presença em tão significativo ato para o sindicalismo português, num discurso ao mesmo tempo singelo e emotivo, que, pela sua importância, a seguir transcrevemos.

“São todas e todos muito bem-vindos à nova sede da UGT, que aqui acolherá todos os serviços da confederação sindical, o Centro de Formação Profissional e de Aperfeiçoamento Sindical (CEFOSAP), a UGC (União Geral de Consumidores) e o MODERP (Movimento de Reformados e Pensionistas), para além da UGT-Lisboa e as comissões estatutárias, cerca de 85 trabalhadores permanentes, quadros dirigentes, da central e dos seus sindicatos, formadores e formandos do CEFOSAP e todas as organizações filiadas que necessitem de utilizar os três auditórios e a sala polivalente para o trabalho sindical e formativo. Esta é uma conquista sem precedentes na história coletiva da UGT, fruto da unidade e coesão internas – fatores fundamentais para a assunção de compromissos desta envergadura e responsabilidade – mas também pelo querer dos nossos sindicatos, os pilares do movimento sindical democrático que representamos ao serviço das trabalhadoras e dos trabalhadores portugueses que representamos e que viremos a representar.
Quero começar por agradecer de forma emocionada a todos quantos nos ajudaram nesta tarefa e que em nós acreditaram e nos apoiaram na concretização desta realidade.
Ao Conselho de Administração do Millennium BCP, aqui representado pelo dr. José Araújo, ao presidente do C.A. da Universidade Lusófona, professor Manuel Damásio, à Associação Agostinho Roseta, cujo presidente, Luís Azinheira, é também vice- presidente da UGT, quer pelo sistema audiovisual deste auditório, que nos ofereceram, quer pelo serviço de restauração e bar que várias turmas dos seus formandos nos vão proporcionar hoje mesmo, aos trabalhadores da UGT e do CEFOSAP que se envolveram de forma empenhada no processo de mudança e que contribuíram para que a apresentação das nossas instalações decorra de forma que nos deixa orgulhosos, aos meus colegas do Executivo, chefias e trabalhadores da UGT responsáveis por toda a logística deste dia.
A UGT cresceu na sua afirmação ao longo de 38 anos de democracia, defensora de um sindicalismo de proposição e de compromisso, defensora do diálogo social e da concertação, defensora da negociação coletiva e dos acordos à mesa das negociações, tendo sempre como objetivo supremo a atingir a defesa dos valores em que acredita e que estão plasmados na sua Declaração de Princípios – direitos dos trabalhadores, defesa do Estado Social e contratação coletiva, sempre tendo por base as virtudes do diálogo, do entendimento, da paz social e da estabilidade.
Sim, são valores que enformam o percurso de 38 anos de vida que no próximo dia 28 deste mês se comemoram.
Outubro é para nós um mês de grandes momentos.
Hoje é um desses dias que nos deve deixar emocionados pelo caminho percorrido. Desde a velhinha sede da Rua dos Douradores, até à Buenos Aires, depois a Gago Coutinho e agora a Ameixoeira, é algo que nos deve a todos orgulhar.
O testemunho de Sua Excelência o Presidente da República e de outras altas individualidades do país político, social e económico, hoje e aqui connosco, é como a celebração de um pacto entre a mais alta figura do Estado e um parceiro social que representa e defende trabalhadores por conta de outrem.
A presença de Vossa Excelência é um ato simbólico que nos permite vislumbrar o respeito institucional por uma organização que, acima de tudo, se dedica a defender a parte mais fraca numa relação de trabalho, permitindo com os seus esforços diários desde há 38 anos alcançar um acervo de direitos dos trabalhadores portugueses, através do compromisso e do diálogo com os sucessivos governos e com as entidades empregadoras, seja em sede de CPCS, seja setorialmente ou a nível de empresa.
Continuamos a verificar muita desigualdade e injustiças sociais, muitas assimetrias regionais e uma ainda elevada taxa de desemprego. Vivemos tempos difíceis e de incerteza quanto ao futuro. Os nossos jovens formam-se e atingem qualificações de elevado gabarito e muitos emigram. A natalidade é das mais baixas do mundo e o envelhecimento da nossa população preocupa-nos, com um cada vez maior peso nas despesas da segurança social. O investimento tarda em arrancar e os empresários pedem confiança e apoios da União Europeia, a qual, infelizmente, tem mostrado sinais de desagregação, que desejamos sejam revertidos.
Mas os povos de outras paragens procuram-nos pelo nosso clima, a nossa hospitalidade, o nosso coração aberto e gentil, a nossa gastronomia e a nossa cultura e história de mais de oitocentos anos, pela nossa segurança.
Os nossos emigrantes são dos trabalhadores mais procurados e respeitados por esse mundo fora. Temos qualidades inexcedíveis que podem ombrear com qualquer outro povo, compatriotas que atingem lugares de destaque na comunidade internacional, e no entanto…
O que nos falta?
Falta-nos a confiança em nós próprios para podermos arrancar para um patamar de crescimento que nos permita contrariar este pessimismo nacional em que quase todos nos deixámos mergulhar. Eu reafirmo – quase todos.
As crises podem ser oportunidades para se ultrapassarem estigmas e dificuldades para empresários e empreendedores, para gente que se obriga a combater a desesperança e a mesquinhez, a afastar e repudiar a inveja e a pequenez de horizonte e de espírito.
Eis a UGT e os seus dirigentes e sindicatos. Procurando combater esta quase negritude anímica nacional e a juntar-se àqueles que teimosamente resistem a ceder. Importa resistir.
E resistir também é construir. Uma nova esperança todos os dias. Os trabalhadores precisam de sentir que têm nas suas organizações valores de resiliência que não cedem nos momentos difíceis.
Hoje é uma prova para nós próprios, para a UGT e para todos os que aqui se encontram, que conseguimos ultrapassar os adamastores deste mundo, que somos temerários na aposta de construir um futuro comum que demonstre pujança, determinação em crescer, ainda que num momento difícil da vida do país.
Hoje fomos capazes de nos transcender, de nos valorizarmos, de mostrarmos a todos e cada um de nós e aos portugueses que, apesar da crise, encontrámos uma sede nova para os nossos sindicatos, para os trabalhadores poderem reunir-se, discutir, refletir quanto ao seu presente e o que querem para o seu futuro, formar-se, qualificar-se, encontrar alternativas nas suas vidas que permitam a muitos deles regressar ao mercado de trabalho.
Que melhor forma de combater o desespero e a desesperança senão demonstrar que é possível combatermos a crise?
Só com confiança – a nossa confiança, aqui bem vincada com esta nossa sede que vos apresentamos com orgulho e determinação, que é sinónimo de força anímica para fazermos mais visitas aos locais de trabalho, às empresas, às câmaras municipais, ao país, mais trabalho sindical e de proximidade, levar os nossos afetos e o nosso apoio a quem precisa, a quem quer uma voz e uma presença que defenda os mais frágeis e desprotegidos.
Afinal, este tem sido o mote do senhor Presidente da República desde que foi eleito.
Esta inauguração é um grito da UGT de afirmação que é possível assumir compromissos e lutar por eles.
O sonho comanda a vida. E o pragmatismo dá segurança ao sonho. O Presidente da República é o símbolo da unidade do Estado e de todos os portugueses.
Tem levado a todo o país o afeto da mais alta individualidade da Na- ção, numa relação de proximidade que a muitos espanta, mas que o enobrece a ele e à relação que deve existir entre a classe política e o povo, que aprecia e enaltece o gesto e a postura.
É em nome dessa postura que, em nome da UGT, nos comprometemos a prosseguir, como o temos feito, uma relação de proximidade aos trabalhadores portugueses, escutando os seus problemas, discutindo soluções, levando a quem de direito os assuntos que carecem de solução.
O vosso exemplo, senhor Presidente da República, é merecedor de ser copiado por ser um múnus de esperança que os portugueses precisam de sentir.
Vamos continuar a copiá-lo.”
     
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