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Comissão Sindical da Delegação de Penafiel

Clima generalizado de medo no setor provoca as mais variadas doenças

Rodrigo Mesquita, Abílio Sousa, Francisco Fernandes e José Luís – coordenador – são os membros da Comissão Sindical de Delegação de Penafiel com quem conversamos e que deram origem à entrevista a seguir publicada.

P. Pela conversa que tivemos anteriormente, deu a sensação de que esta delegação abrange uma área territorial bastante alargada
R. Com efeito assim é. Concretizando: para além do próprio concelho de Penafiel, podemos referir Santa Maria do Zêzere, Baião, Marco de Canavezes, Amarante, Vila Meã, Lixa, Felgueiras, Lousada, Freamunde, Paços de Ferreira, Cête, Termas de S. Vicente, Rio de Moinhos e Alpendorada. Ou seja – e na prática – os vales do Sousa e do Tâmega.

P. Como é que vocês interpretam a situação que o setor atravessa?
R. Antes do mais, uma referência, para o facto de essa mesma situação estar a provocar uma turbulência muito grande por todo o lado, uma vez que os bancários sentem que ela é avassaladora e que o próprio movimento sindical, por muitos esforços que faça, não a consegue conter. Quando muito, às vezes lá vai reduzindo as ondas de choque. Mas isso tudo provoca o medo, muito medo, nas pessoas, sobretudo nos mais novos. Todos se sentem ameaçados, mas eles talvez mais do que os outros.

P. Querem citar algum exemplo concreto do que referem?
R. Exemplos há mais que muitos. E todos os dias. Mas vamos aos factos. Antigamente, quando se entrava para a banca, já vinha a proposta para se entrar para só- cio do sindicato. Agora, quando se entra, já vem a ameaça para não se sindicalizar. E, colocados perante esta situação, como é que podemos fazer com que os recém- -admitidos desobedeçam aos chefes? Seria necessário desenvolver mais esforços, quer junto destes, quer junto dos outros colegas. Quase todos se sentem intranquilos, neste momento

P. Então porque não desenvolvem esses esforços?!...
R.Isso requer uma resposta mais complexa. É que, para tentarmos inverter essa situação, haveria necessidade de a delegação poder ser mais proativa, ou melhor, de poder dar melhores condições aos associados e, neste caso, a desativação do posto clínico contribuiu para a desmotivação dos sócios. Não estamos aqui a imputar culpas personalizadamente. O que nos importa é registar que aconteceu o facto, que é grave e que nos conduziu a uma situação de desmobilização de muitos bancários desta área em relação à nossa delegação.

P. Mas continuo sem entender a relação dessa situação com a proatividade de que falavam
R. Bom, nesse caso, proatividade tem a ver com eficácia de funcionamento. Vamos então explicar melhor. É que haveria necessidade de termos dois elementos em tempo inteiro, porque a forma mais eficaz de se fazer sindicalismo não é estar sentado à secretária. E quando tanto se fala de sindicalismo de proximidade, é precisamente isso que gostaríamos de implementar aqui na delegação.

P. E porque não o fazem?
R. Fazemos. Mas de forma insuficiente. Porque sempre que o coordenador se ausenta das instalações, seja por iniciativa própria, seja por solicitação de associados, a delega- ção fica fechada e o telefone deixa de responder aos associados que eventualmente o solicitem nessa altura. Ou seja, é-se preso por ter cão e preso por não o ter. Não se pode fazer duas coisas ao mesmo tempo. Está provado que só um elemento a tempo inteiro não é suficiente, dada a vasta área da delegação, para cumprirmos os objetivos a que nos propomos e que a própria Direção certamente gostaria de ver alcançados. Para vendermos o nosso “produto” (sindicato) aos nossos “clientes” (bancários) temos de ter meios para o conseguir fazer

P. Antes de iniciarmos a entrevista, tinham começado a falar numa certa falta de comunicação, mas não chegaram a concretizar. A que se referiam, no plano concreto?
R. Queríamos dizer que os bancários, para além de todas as angústias que sofrem no dia-a-dia por causa da situação laboral, também as veem aumentadas frequentemente devido a muitas faltas de informação e a muitas omissões na comunicação, nomeadamente por parte da Febase e, neste caso concreto, no que diz respeito ao que se passa com o Montepio, o que é extremamente grave. O que transpira é apenas o que se tem conhecimento através da comunicação social, o que revela uma enorme falta de consideração para com os bancá- rios. É inaceitável. Percebemos que a comunicação pode e deve ser cuidada. Mas deveríamos ser municiados de algumas matérias que pudéssemos transmitir aos associados. A todos eles, mas sobretudo àqueles que ainda têm a preocupação de nos procurar para se irem mantendo informados do que lhes diz respeito. Assim, este vazio mais não provoca do que ondas sucessivas de especulação e uma grande indignação. A quem aproveita esta situação? A Febase tem de resolver este problema de falta de comuni cação, sem o que não nos podemos responsabilizar pelo afastamento que isso provoca junto dos associados.

P. Do vosso contacto com os sócios, quais as principais queixas que resultam, relativamente à atual situação da banca?
R. Bem, é certo que nós contactamos privilegiadamente com os associados. Mas estamos certos que as queixas são extensivas à generalidade dos bancários. Temos de voltar a sublinhar – nunca é demasiado!... – o clima de medo que se instalou por todo o lado, agravado pelo facto de não se poderem manifestar. Por exemplo: se alguém recorre ao Contencioso do SBN, fica logo considerado como uma ovelha ronhosa, quer a nível do balcão quer do próprio banco. E mais tarde ou mais cedo acaba por perder eventuais regalias internas. Os colegas vivem, assim, num clima de medo permanente de serem chamados para assinarem as malfadadas rescisões, ditas de amigáveis mas que de amigáveis nada têm. E é inimaginável o que essa situação de medo constante provoca em termos de saúde, quer em termos psicológicos, quer em termos de perturbações orgânicas. Estamos a atingir níveis insustentáveis. Isto é absolutamente inumano.

P. Mudando de assunto. A delegação desenvolve alguma atividade em termos de lazer e de aproveitamento dos tempos livres dos associados?
R. Nem por isso. E já cá estamos nós a cair outra vez na velha questão do segundo elemento a tempo inteiro. É que, se ele existisse, haveria possibilidade de dinamizar o funcionamento da delegação com aquilo que temos projetado, isto é, proporcionando diversas atividades na área dos jogos de salão e outras de natureza cultural, desportiva e recreativa, incluindo um melhor aproveitamento desta mesma delegação, mantendo-a aberta das 10 às 19 horas. Assim, tantas vezes fechada, nem aos reformados se torna atrativa. Vamos lá ser francos e não tenhamos medo das palavras nem de afrontar a verdade ou a realidade: muitas vezes vêm aqui associados que, pela ausência do coordenador em trabalho externo, batem com o nariz na porta; será que se sentem mobilizados para cá voltarem?

P. Para terminarmos, qual a opinião que os associados vos transmitem sobre o SAMS?
R. É evidente que o SAMS tem um bom serviço. Oxalá se mantenha! Mas é claro que, como em tudo na vida, há que fazer algumas afinações, como seja melhorando as comparticipações, sobretudo nas áreas da medicina dentária e da oftalmologia. Nestes casos, sim, é que existe um desequilíbrio francamente gritante.

     
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