Pesquisa

ok
Home»Nortada»Nortada Detalhe
 
Comissão Sindical da Empresa do BIC

Banco foca hoje a ação no binómio pessoas-negócio

“Somos os testemunhos de uma história única, um caso sem qualquer paralelo no sistema financeiro português, uma história de vida para quem, pela primeira vez, viveu por dentro a falência do primeiro banco em Portugal – isto é, com dimensão comercial e geográfica a nível nacional” – disseram-nos Adelaide Lopes (coordenadora) e Ricardo Barroso, da Comissão Sindical de Empresa do BIC, iniciando a entrevista que a seguir publicamos.

P. Como é que encararam o início de todo este processo no banco?
R. Na realidade, o banco não tinha, na sua génese, uma cultura sindical ativa. Aliás, era sentimento geral que a mesma era, de alguma forma, desencorajada pelos responsáveis máximos à data.

P. Então a nacionalização ainda teve efeitos mais perversos sobre quem podia ou queria unir os trabalhadores?
R. Não, ao contrário! A nacionalização do banco, em 3 de novembro de 2008, teve o condão de despertar consciências, de unir pessoas, para encararem um desafio que ninguém sabia como enfrentar. Na realidade, era um desafio novo, quer para todos aqueles que decidiram aceitá-lo, dentro do banco, com experiência sindical pouco significativa, quer para quem tinha uma longa experiência sindical, como são os dirigentes sindicais que à data tinham responsabilidades dentro dos diversos órgãos.

P. Conseguiram, nessa altura, ao menos, ir delineando uma estratégia de médio prazo?
R. Em boa verdade, foi mais num túnel escuro, sem qualquer perspetiva, que fomos caminhando durante 1244 dias, desde 2 de novembro de 2008 até 31 de março de 2012…

P. Porque usam essa expressão do “túnel escuro”? Sentiam-se sozinhos?
R. Porque percebemos, muito rapidamente, que a esmagadora maioria das pessoas, comentadores, órgãos de comunicação social, etc., estavam apenas centrados na dimensão financeira do problema e que nós tínhamos de combater, com todas as nossas forças e com os apoios que fomos granjeando, este estigma. Foi assim que, paulatinamente, conseguimos colocar o problema da dimensão social no discurso dos diversos interlocutores. Não foi fácil, acredite. Foi um trabalho de insistência, de persistência, de acreditar que era possível. Que tinha de ser possível.

P. O sindicato desempenhou algum papel, nesses momentos?
R. Ora aí está uma excelente oportunidade para fazermos aqui um parêntesis, que nos proporciona conferir uma nota de reconhecimento ao Sindicato de Bancários do Norte, que demonstrou sempre total disponibilidade, colocando todos os meios que tinha ao nosso dispor.

P. E a partir daí o caminho aplacou-se?
R. Quem dera! Mas não foi assim. Antes, foi uma fase com muitos episódios, avanços e recuos e, acima de tudo, com momentos que nunca tinham sido vivenciados na banca portuguesa.

P. Depois de todo este tempo volvido, há conclusões que podem ser retiradas?
R. Há, claro que há. Uma delas é a de que o espírito de solidariedade da classe bancária tinha de ser reforçado, pois, como se pode constatar agora, o nosso problema não foi um caso único, pontual, mas sim a ponta do iceberg. Por isso, a mensagem que podemos deixar após esse período é a de que seguramente juntos podemos ser mais fortes. Por outro lado, a interação entre os órgãos das diversas entidades financeiras pode fortalecer e solidificar o nosso setor, centrando nas pessoas o nosso combate.

P. Estão arrependidos de terem entrado nessa luta?
R. De forma alguma! Mas, sim, foram anos difíceis, em que tivemos de aprender e decidir rápido, quiçá nem sempre bem, todavia com a dimensão social no centro da nossa atuação. Entretanto, não queremos com isto transmitir que estamos agarrados ao passado. Muito pelo contrário! Estamos completamente focados no nosso presente e no nosso futuro, sempre tendo bem na lembrança uma célebre frase: “Não há pessoas fortes com leves passados!”. Assumimos o passado como parte importante da nossa história, pelo que estamos, hoje, orgulhosos do caminho que trilhamos.

P. O tempo corre… há recordações…
R. Sim… o tempo corre… e os primeiros quatro anos de Banco BIC foram de reestruturação, também eles difíceis, principalmente nos primeiros dois anos, em que assistimos a um despedimento coletivo. No entanto os automatismos foram sendo solidificados e agora, com a nova administração em funções, estamos preparados para centrar a nossa atuação no binómio pessoas- -negócio. É nossa convicção que o capital humano assume um papel fundamental na evolução do banco, que, por sua vez, pretende capitalizar este valor humano em bons negócios capazes de ajudar a crescer a nossa instituição. Assim sendo, pretendemos estabelecer mecanismos que permitam ajudar a maximizar as potencialidades dos trabalhadores, balizando formas de atuação que permitam, através de um compromisso comum a todas as partes envolvidas, melhorar a vida dos trabalhadores. Ou seja, e para terminar, estabelecer uma relação win to win, fazendo justiça ao mote tão bem escolhido pelo Banco Bic – Crescemos Juntos.      

   Imprimir        Voltar        Topo
Copyright © 2007 SBN