Trabalhadores do setor financeiro não ganham 3.250€… infelizmente

 

Os Sindicatos da FEBASE – MAIS, SBN, SBC e STAS – consideram necessário esclarecer que, ao contrário dos dados divulgados pela Randstad, os salários da grande maioria dos trabalhadores da banca e dos seguros ficam muito aquém da média dos 3.250€ brutos anunciados.

Na sua edição do 25 de fevereiro, o Jornal de Negócios noticia um estudo da Randstad Research, multinacional da área dos Recursos Humanos, sobre o mercado de trabalho no setor financeiro – banca, seguros e atividades conexas. Não pondo em causa o estudo, no entanto, os Sindicatos da Federação do Setor Financeiro (FEBASE) consideram pertinente deixar claro que os dados revelados não refletem a realidade do setor.

Em causa está, nomeadamente, a referência ao salário. Segundo a Randstad, “em novembro de 2025, o setor das finanças regista uma remuneração de 3.250€, um valor que se destaca por ser 70% superior à média nacional de 1.877€, reafirmando a posição das atividades financeiras no topo da hierarquia salarial em Portugal”.

Antes de mais, importa clarificar que o valor referido na notícia corresponde a salários médios brutos e não ao salário efetivamente auferido pela maioria dos trabalhadores.

 

Banca…

O facto é que a maioria dos bancários está colocado até ao nível 10 da tabela. No nível 10, por exemplo, o salário bruto de 2025 é de 1.528,71€ no ACT do Setor Bancário, a convenção coletiva que abrange mais trabalhadores. Aliás, pela mesma tabela, um bancário no topo (nível 18) tem um vencimento bruto de 3.140,48€, ou seja, inferior ainda ao salário indicado no estudo da multinacional.

Salários brutos de 3.250€, a existirem, só podem ser explicados pelas remunerações variáveis que os bancos atribuem a alguns trabalhadores, como isenção de horário, incentivos, prémios ou bónus quando atingem determinados objetivos, habitualmente muito difíceis de alcançar. Além disso, sublinhe-se, por uma razão outra muitos nunca são beneficiados com qualquer rendimento suplementar.

MAIS, SBN e SBC salientam que as remunerações variáveis são exatamente o que o nome indica: temporárias e podem terminar a qualquer momento. Mas, mais grave, não são contabilizáveis para a formação da reforma, e muitos são os bancários que ao deixarem a vida ativa viram os seus rendimentos substancialmente reduzidos.

 

…e seguros

No caso do setor segurador, a realidade é igualmente distinta da média apresentada.
A maior parte dos trabalhadores dos seguros encontra-se enquadrada nas carreiras técnicas e de especialistas operacionais, cujo salário base médio ronda os 1.300€ brutos mensais.

E no setor da distribuição de seguros, a tabela remuneratória é ainda mais baixa, onde a maioria aufere um salário base médio mensal na ordem dos 1.100€ brutos.

Ou seja, valores significativamente abaixo dos 3.250€ brutos divulgados como média do setor financeiro, sendo essa média fortemente influenciada por cargos de direção e funções altamente especializadas.

Acresce que também nos seguros existem componentes salariais além dos salários base, nomeadamente em carreiras técnicas e comerciais, o que empola potencialmente esses valores.

 

Negociações

Ao longo dos anos, os MAIS, SBN e SBC têm tentado, em sucessivas revisões das convenções coletivas, negociar a introdução de algumas das remunerações variáveis nos acordos coletivos, mas os bancos sempre se opuseram, argumentando que são matéria de gestão dos recursos humanos. E, diga-se em abono da verdade, com o atrativo de um eventual prémio as instituições levam os bancários a cumprir ritmos de trabalho sobre-humanos e a prolongar o horário muito além do normal sem pagamento de horas suplementares.

Uma situação que se repete no setor segurador, apesar dos esforços do STAS nas negociações contratuais.

No seu estudo “O mercado de trabalho no setor de finanças”, de fevereiro de 2026, a Randstad Research refere ainda a evolução salarial no setor. “Nos últimos dez anos, a remuneração nas finanças cresceu 24%, um desempenho que representa menos de metade do crescimento de 53% observado na remuneração geral do país”, acrescentando que “no último ano, teve um aumento de 2,6% e de 1,3% no último mês”.

Embora reconhecendo que os salários na banca têm crescido muito menos do que noutros setores de atividade, a realidade fica ainda mais aquém. Apesar dos excecionais lucros do setor, os bancários estão há anos a perder poder de compra. Além disso, o aumento salarial de 2025 foi de 2,5% e este ano as negociações ainda estão a decorrer.

Do mesmo modo, a utilização de um valor médio agregado pode induzir uma perceção desajustada da realidade salarial vivida pela maioria dos profissionais do setor segurador. Para uma leitura mais rigorosa, importa distinguir entre salário médio bruto e salário líquido, bem como entre a média global e o salário base por categoria.
Infelizmente os trabalhadores do setor financeiro não auferem, em média, salários brutos de 3.250€, conforme alude o estudo da multinacional mencionado no Jornal de Negócios. A referência ofende os profissionais e induz a opinião pública em erro, o que justifica o esclarecimento do MAIS, do SBN, do SBC, e do STAS.

As Direções

27/02/26

 

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